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Instalações elétricas
merecem cuidados
profissionais
Síndico do edifício Toulon, em Botafogo,
Paulo Poppe resolveu reformar a parte
elétrica de seu apartamento, um ano atrás.
Descobriu que o buraco estava, literalmente,
mais embaixo: era preciso uma reforma
geral das instalações do condomínio,
construído na década de 1960. Na época,
o uso residencial de energia resumia-se à
iluminação dos cômodos e a alguns poucos
aparelhos, como geladeira, rádio e, às vezes, televisão. Será que edifícios das
décadas de 1940 a 1970 prepararam suas
instalações para suportar a demanda atual
por energia, com moradores usando arcondicionado,
computador, home-theater
e TVs em todos os cômodos? Como saber
se é preciso uma reforma geral?
Assim como no Toulon, o desgaste das
instalações elétricas costuma ocorrer sem
Manutenção
por Viviane Marques
Apagão:
você também
pode ter o seu
Instalações elétricas
merecem cuidados
profissionais
maiores alardes. Apenas quando a situação
começa a ficar incômoda, isto é, começa
a haver queda de tensão por desarme do
disjuntor, a solução mais corriqueira é improvisar
um aumento de carga. Eletricistas
(muy) amigos sugerem aos síndicos de edifícios
antigos instalar um disjuntor mais
potente (40 ou 60 amperes, unidade que
mede a intensidade da corrente elétrica)
para “segurar” o antigo (de 30 A) e acabar
com a falta de luz. No entanto, trata-se de
prática perigosa e ilegal, passível de multas
e processo por parte da concessionária de
energia (veja boxe com mais detalhes).
“Com 20 anos de vida é preciso revisar
todas as instalações elétricas, do PC (quadro
geral) ao interior dos apartamentos. Calculo
que 90% dos prédios de bairros mais
antigos da cidade têm cabeamento original”,
avalia o engenheiro eletricista Marcelo
Poça, da Eletrosena Serviços Ltda. Ele alerta
que em prédios sujeitos à ação da maresia,
o prazo pode ser menor. “Além de corroer
fios e PCs, a umidade salina é condutora de
eletricidade, ou seja, quando instalada gera
aumento no consumo”, diz o engenheiro,
que já vistoriou prédios na Barra da Tijuca,
bairro com construções recentes cujos PCs
encontravam-se totalmente corroídos pela
maresia e, pasmem!, pelo enxofre gerado
pela poluição no Canal de Marapendi.
Não basta trocar só o PC e deixar que
cada unidade se responsabilize pela substituição
da fiação até o apartamento Até
porque um incêndio causado por curto-circuito
não atinge apenas o morador que deixou
de fazer a troca. E, no caso de acidentes,
o condomínio tem responsabilidade civil, sendo considerado “solidário” ao infrator,
pois nesse tipo de sinistro é difícil identificar
onde, exatamente, o fogo começou.
Além de evitar choques e curtos-circuitos,
os condomínios devem fazer uma revisão
geral de suas instalações em nome da
economia nos gastos. Fiações e cabeamentos
antigos quase sempre geram desperdícios,
que refletem num valor de conta mais
alto do que o consumo real do morador.“Pode ocorrer de a fiação entre o relógio e o
apartamento ter fios desencapados dentro
do condutor de ferro. Isso não causa curtocircuito,
mas gera escape de eletricidade. A
pessoa paga por algo que não está usando.
Modernizar é economizar. A pessoa sente a
diferença até na qualidade da energia que
está consumindo”, explica Poça.
O engenheiro enumera, ainda, a possibilidade
de eletrocussão como consequência
da fiação antiga desgastada, já que as tubulações
hidráulicas antigas também eram
de metal, elemento que conduz eletricidade.
Assim, caso o cano de água passe perto da
fiação, existe a possibilidade de tomar um
choque em pleno banho.
Embora o envelhecimento da fiação
costume ser assintomático, alguns indícios
podem denunciar que algo não vai bem, de
acordo com Poça. São eles: queda de tensão
(que pode ser causada por vários fatores,
sendo o mau dimensionamento das
instalações um deles), queima de fusíveis
e de lâmpadas fluorescentes, desarme do
disjuntor e aumento no valor da conta sem
que o consumo tenha sido alterado.
Muitos síndicos encontram dificuldade
para convencer os moradores da necessidade
de troca das instalações. Afinal,
a despesa fica em torno de R$ 1 mil, por unidade, para mudar algo que, aparentemente,
funciona. Segundo Marcelo Poça, é possível dividir o pagamento em até
dez parcelas, dependendo do tamanho do
projeto. Para sorte do síndico Paulo Poppe,
não houve problema com os moradores do
Toulon, até porque a obra foi considerada
emergencial e o valor empregado já estava
reservado para uma obra na fachada - que
acabou ficando para depois.
Apesar de ter reformado as instalações
de sua unidade há um ano, só recentemente
o síndico descobriu o risco que todos corriam.
O eletricista que reformou as instalações de
seu apartamento avisou que seria preciso
mudar também a fiação do condomínio, já
que os fios antigos são mais estreitos que
os modernos. “Esperei ter uma folga no caixa
e, no meio de 2009, quando o eletricista
abriu as caixas de distribuição dos andares
percebeu que o caso era sério e recomendou
a contratação de uma firma especializada”,
lembra. Em novembro passado, foram substituídos
PC, cabos, fios e disjuntores de cada
uma das 14 unidades. Para evitar a obra física
e o consequente quebra-quebra (o que
também encareceria a empreitada), os novos
dutos passam pelo fosso do elevador.
Para prédios novos ou que tiveram suas
instalações elétricas reformadas recentemente,
o engenheiro Marcelo Poça recomenda
uma revisão anual do PC e de todos
os circuitos, de preferência no período do
inverno. As altas temperaturas dilatam a fiação,
deixando emendas e parafusos frouxos,
de modo que o mau contato vai dificultando
a passagem de energia. “Na manutenção,
a empresa ou o profissional habilitado limpa
os contatos, reaperta as conexões e revisa
emendas e cabos”, descreve.
A fiscalização da adequação da carga de
cada edificação, depois que um prédio fica
pronto, é incumbência da concessionária de
energia elétrica – no caso do Estado do Rio
de Janeiro, Light ou Ampla. “Para ampliar a
carga, o condomínio deve apresentar um
projeto à concessionária, feito por um responsável
técnico com registro no Conselho
Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea)
que seja especialista. Para o projeto ser
aprovado é preciso que o profissional tenha
habilitação”, alerta Regina Moniz, da Câmara
de Engenharia Elétrica do Crea-RJ.
A engenheira conta que, pessoalmente,
já passou por uma situação em que um
comerciante, seu vizinho, fez um “gato”
(roubo de energia) de sua instalação trifásica para alimentar o ar-condicionado do
estabelecimento. Ela lembra que é preciso
que ar-condicionado e chuveiro elétrico
tenham fases próprias. Caso contrário,
além do risco dem subdimensionamento da
instalação e de queda de tensão há o aumento
no consumo. “Se fica tudo ligado
numa mesma fase, há um desequilíbrio na
conta”, explica ela, ressaltando a importância
do engenheiro eletricista em reformas
na parte elétrica. “Não é reserva de
mercado, mas se o profissional não souber
fazer cálculo, o consumidor corre o risco
de curtos-circuitos e incêndio por sobrecarga”,
alerta.
No mais, Regina avisa que fazer mudança
de carga sem aval técnico é fraude
com punição prevista na lei. A concessionária
pode entrar com uma ação
judicial, pois ao mascarar o consumo o
condomínio ou morador está furtando
energia. A engenheira explica que, nesses
casos, a punição é fundamentada na
Resolução 456 da Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel), órgão regulador
das concessionárias, que vem a ser baseada
no Artigo 6º do Código Penal Brasileiro
(DL 2.848/1940, alterado pela Lei Federal
7.209/84). A resolução estabelece as condições
gerais de fornecimento a serem seguidas
tanto pelas prestadoras de serviço
quanto pelos consumidores.
“Outros artigos do Código Penal também
podem ser usados para processar o consumidor que mascara o relógio, até
porque ele é de propriedade da concessionária,
não do condomínio”, avisa a
representante do Crea. Marcelo Poça, da
Eletrosena, complementa: “As instalações
atuais devem seguir as normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) e da NR-10, do Ministério do
Trabalho, uma norma regulatória que
trata só de instalações elétricas e visa
preservar tanto estas quanto as pessoas,
profissionais ou não.”
Mas para você, síndico, não ser
obrigado a ficar decorando leis, vale o
resumo da engenheira Regina: “Responsabilidade
técnica é uma garantia para
o consumidor e só os profissionais de
engenharia têm conhecimento amplo de
todas as normas a serem seguidas. A instalação
mal dimensionada faz o consumidor
correr o risco de ter seu consumo
aumentado ou até causar um acidente,
cujo reflexo pode ser uma falta de luz a
quilômetros de distância, pois nosso sistema
elétrico é de malhas. Já houve um
acidente em Botafogo que deixou parte
de Copacabana sem luz.” Ou seja, apagão,
você também pode causar um.
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Síndico do edifício Toulon, Paulo Poppe, ao reformar a parte elétrica de seu aparta mento , descobriu que o
problema era muito maior: era preciso reformar as instalações do condomínio todo, erguido nos anos 1960.

“Para ampliar a carga da edificação, o condomínio deve apresenta r um projeto à concessionária, feito por
um responsável té cnico com reg istro no Co nselho Reg ional de Enge nharia e Arquitet ura (Crea ) que seja
especialista . Para o projeto ser aprovado é preciso que o profissional te nha hab ilita ção”, alerta Regina
Moniz, da Câmara de Engenharia Elétrica do Crea-RJ
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