44-JAN FEV MAR 2010
 



Dedetização versus verão – o que fazer para
evitar os mosquitos

Adriana Baffa


Com a chegada do verão e, além do calor no coração, os mosquitos chegam com tudo. Para prevenir esse mal, os síndicos começaram a tomar providências ainda no fim do ano. Há nove anos à frente do Condomínio Duque de Treville, em Copacabana– e reeleito por mais um triênio –, o aposentado Ivan Antunes de Abreu contratou uma empresa de dedetização em novembro.“Não só para controlar as pragas de sempre, como baratas e cupins, mas para conter os mosquitos também”, diz.

“Seu” Ivan gaba-se de saber todos os procedimentos para deixar os mosquitos longe, como limpar as escadas e caixasd’água e não deixar água parada, mas ele diz que é preciso ainda conscientização por parte dos moradores. “Recebo sempre folhetos explicativos e os coloco nos murais
para chamar a atenção deles. E estou sempre de olho!”, diverte-se.

Diretor do Departamento Administrativo da ImuniService – empresa com mais de 40 anos no mercado –, Marcus Pires diz que a procura pelos serviços de dedetização para mosquitos teve um aumento de 30% no fim do ano. Mesmo assim, ele recomenda precaução sempre, não só no verão. “No Rio de Janeiro, somos assolados, principalmente, pelo Culex e pelo Aedes, mosquitos parecidos mas com bioecologia bastante diferente”, explica. Segundo ele, no caso
do Culex é importante frisar que, apesar de não ser vetor de doenças no Rio, sua presença é bastante incômoda, principalmente para quem tem alergia. O executivo explica ainda que o ataque ao homem por esse mosquito ocorre, obrigatoriamente, à noite, de preferência durante o repouso.
Eles utilizam as residências humanas como abrigo durante o dia e à noite, mas só serão estimulados à hematofagia, ou seja, a se alimentarem de sangue, no crepúsculo vespertino e à noite.

“Por conhecer os hábitos desses mosquitos, que, de preferência, têm criadouro em depósitos artificiais, no solo ou em recipientes com água e matéria orgânica em decomposição, recomendamos o tratamento especial por termonebulização à base de larvicida, ou UBV, nos locais de desova e criação que não puderem ser eliminados, no fim da tarde, e pulverização de inseticidas nos locais de pouso na vegetação externa e no interior dos domicílios”, diz Marcus Pires. Ele também recomenda o uso de telas de náilon impregnadas com inseticida como dosséis ou nas janelas.

Há pouco tempo, por causa de um problema ambiental que se arrasta há vários anos, o Recreio dos Bandeirantes sofreu com uma invasão de mosquitos. O problema era na Lagoinha das Tachas, que fica no Parque Municipal Chico Mendes, que estava tomada pelo esgoto e pelas gigogas. Com a proliferação da planta, que acumulaágua, os mosquitos também se multiplicaram na região.

Morador do Recreio, o publicitário Roberto Lopes Galvão Júnior conta que em seu apartamento, uma cobertura, não havia nada que impedisse o ataque. “Fechávamos todas as janelas às quatro da tarde. Um calor insuportável e as crianças, que chegavam da escola, se sentiam mal”, lamenta-se.

Para amenizar o problema, Roberto apelou para telas, muito repelente e uma brincadeira com os filhos de “campeonato de raquete elétrica”. As crianças, de 5 e 8 anos, se divertiam “fritando” mosquitos.“Essa foi a forma de tentar não deixá-las
com medo, já que víamos nuvens de mosquitos na varanda”, conta. O publicitário diz ainda que sempre manteve tudo “dentro dos conformes” para evitar a proliferação dos mosquitos em sua casa.

Gerente-geral da Insetisan, empresa com quase 60 anos de existência, Telles Gonçalves Grillo diz que a limpeza é fundamental para evitar os insetos. “Além das instruções de praxe, que todos já conhecem, o cuidado com o lixo também é muito importante. E não vale esquecer os banheiros: deixar a tampa do vaso sanitário fechada é sempre bom. E naqueles pouco usados, dar descarga uma vez por semana e usar água sanitária com frequência em qualquer grande reserva de água sem consumo humano produzem significativas melhorias”, aconselha.

Grillo diz ainda que a procura por serviços de dedetização contra mosquitos aumentou em 50% depois dos surtos de dengue nos verões passados. No entanto, segundo ele, o grande público acredita que o problema é resolvido pelo fumacê (termonebulização), já que se tem a falsa impressão que a nuvem de fumaça eliminará a praga. “O tratamento técnico executado pela Insetisan lança mão de um sistema de
controle no qual atingimos não somente o inseto adulto, mas o início do processo, eliminando as larvas”, explica.

Outro fator importante, de acordo com o executivo, está ligado ao horário ideal para o combate aos mosquitos, que deve ser feito no início da manhã ou no fim de tarde. “Observamos empresas que realizam a aplicação de fumacê em horários totalmente adversos, criando um efeito pirotécnico sem efetividade alguma”, adverte.

PRECAUÇÕES PARA EVITAR OS MOSQUITOS EM CASA

O gerente-geral da Insetisan, Telles Gonçalves Grillo, aponta cinco pontos importantes que devem ser levados em consideração para evitar o ataque de mosquitos:

• Espirais ou vaporizadores elétricos devem ser usados ao amanhecer e/ou no fim da tarde, antes do pôr do sol, períodos em que os mosquitos mais picam.

• Mosquiteiros devem ser usados para cobrir as camas e outras áreas de repouso, durante o dia e à noite, principalmente em casas com crianças.

• Repelentes podem ser aplicados no corpo, mas devem ser adotadas precauções quando se tratar de crianças pequenas e idosos, em virtude da maior sensibilidade da pele.

• Telas em portas e janelas são eficazes contra a entrada de mosquitos nas casas.

• O ar-condicionado apenas espanta o mosquito, pois reduz a temperatura e a umidade do ar, mas não o mata. Com a baixa temperatura, ele terá mais dificuldade para detectar onde estará sua possível vítima.

 

AJUDE A EVITAR A DENGUE

Por Vivien Bezerra de Mello

A dengue é uma virose transmitida ao homem pelo mosquito Aedes aegypti. A infecção pode ser causada por qualquer um dos quatro tipos (1, 2, 3 e 4) do vírus da dengue. Em geral, os sintomas são: febre alta, dor de cabeça e muita dor no corpo. São comuns, também, sensação de intenso cansaço, falta de apetite, náuseas e vômitos.

Ok, essas notícias não são nenhum furo de reportagem, mas quem nunca passou por isso conhece alguém bem próximo que passou. Portanto, é dever de todos evitar que a doença volte a ser uma epidemia, a exemplo de verões passados.

Os síndicos são importantes aliados na prevenção da doença nos condomínios, pois podem mobilizar os moradores para que ajudem a combater a dengue. O espírito de coletividade deve prevalecer, e todos devem tomar precauções, não deixando água acumulada em reservatórios. Mas as medidas de combate à doença só são eficientes se abraçadas por todos. Afinal, de que adianta um morador ser muito cuidadoso
se depois ele pode ser picado pelo mosquito “criado” na casa do vizinho do apartamento ao lado?

Além de mobilizar os moradores, os síndicos devem verificar as áreas comuns do edifício, com atenção a todos os locais que podem acumular água (fosso do elevador, cisternas, caixas-d'água, ralos de águas pluviais, ralos e sanitários dos
apartamentos vazios, piscina etc.).

Toda atenção é pouca, pois o verão é época de chuvas, e o aumento de áreas alagadas forma inúmeros berçários naturais e artificiais para o desenvolvimento das larvas do Aedes aegypti. Aliás, nunca é demais lembrar que o ovo do mosquito pode resistir a áreas secas por mais de um ano e quando chegam as chuvas, o contato da água faz com que ele retome imediatamente seu processo de desenvolvimento e se
torne um inseto adulto. Tecnicamente estamos falando de uma praga – que temos que combater com muita força de vontade.

Segundo uma pesquisa da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, que mostra o índice de infestação de larvas do mosquito numa determinada região, os principais criadouros de mosquitos são encontrados nos locais que já são velhos conhecidos nossos e que estão listados a seguir. Faça sua parte e evite mais um verão com essa dor de cabeça.

Veja o que evitar:

• Entulhos;

• Garrafas vazias que podem acumular água;

• Recipientes plásticos, latas e sucatas abandonadas;

• Vasos de plantas que armazenem água e caixas-d´água destampadas.

 

 

 

 

 



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O síndico do Condomínio Duque de Treville, Ivan Antunes de Abreu, contrato u uma empresa de dedetização: “Não só para controlar as pragas de sempre, como baratas e cupins, mas para conter os mosquito s ta mbém”, diz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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