
Com a chegada do verão e, além do calor
no coração, os mosquitos chegam com
tudo. Para prevenir esse mal, os síndicos
começaram a tomar providências ainda no
fim do ano. Há nove anos à frente do Condomínio
Duque de Treville, em Copacabana– e reeleito por mais um triênio –, o aposentado
Ivan Antunes de Abreu contratou
uma empresa de dedetização em novembro.“Não só para controlar as pragas de
sempre, como baratas e cupins, mas para
conter os mosquitos também”, diz.
“Seu” Ivan gaba-se de saber todos os
procedimentos para deixar os mosquitos
longe, como limpar as escadas e caixasd’água
e não deixar água parada, mas ele
diz que é preciso ainda conscientização
por parte dos moradores. “Recebo sempre
folhetos explicativos e os coloco nos murais
para chamar a atenção deles. E estou
sempre de olho!”, diverte-se.
Diretor do Departamento Administrativo
da ImuniService – empresa com mais
de 40 anos no mercado –, Marcus Pires diz
que a procura pelos serviços de dedetização
para mosquitos teve um aumento de 30%
no fim do ano. Mesmo assim, ele recomenda
precaução sempre, não só no verão. “No Rio de Janeiro, somos assolados, principalmente,
pelo Culex e pelo Aedes, mosquitos
parecidos mas com bioecologia bastante
diferente”, explica. Segundo ele, no caso
do Culex é importante frisar que, apesar
de não ser vetor de doenças no Rio, sua
presença é bastante incômoda, principalmente
para quem tem alergia. O executivo
explica ainda que o ataque ao homem por
esse mosquito ocorre, obrigatoriamente, à
noite, de preferência durante o repouso.
Eles utilizam as residências humanas como
abrigo durante o dia e à noite, mas só serão
estimulados à hematofagia, ou seja, a
se alimentarem de sangue, no crepúsculo
vespertino e à noite.
“Por conhecer os hábitos desses mosquitos,
que, de preferência, têm criadouro
em depósitos artificiais, no solo ou em
recipientes com água e matéria orgânica
em decomposição, recomendamos o tratamento
especial por termonebulização
à base de larvicida, ou UBV, nos locais de
desova e criação que não puderem ser eliminados,
no fim da tarde, e pulverização
de inseticidas nos locais de pouso na vegetação
externa e no interior dos domicílios”,
diz Marcus Pires. Ele também recomenda
o uso de telas de náilon impregnadas com
inseticida como dosséis ou nas janelas.
Há pouco tempo, por causa de um problema
ambiental que se arrasta há vários
anos, o Recreio dos Bandeirantes sofreu
com uma invasão de mosquitos. O problema
era na Lagoinha das Tachas, que fica no
Parque Municipal Chico Mendes, que estava
tomada pelo esgoto e pelas gigogas.
Com a proliferação da planta, que acumulaágua, os mosquitos também se multiplicaram
na região.
Morador do Recreio, o publicitário Roberto
Lopes Galvão Júnior conta que em
seu apartamento, uma cobertura, não havia
nada que impedisse o ataque. “Fechávamos
todas as janelas às quatro da tarde. Um calor
insuportável e as crianças, que chegavam
da escola, se sentiam mal”, lamenta-se.
Para amenizar o problema, Roberto
apelou para telas, muito repelente e uma
brincadeira com os filhos de “campeonato
de raquete elétrica”. As crianças, de 5 e 8
anos, se divertiam “fritando” mosquitos.“Essa foi a forma de tentar não deixá-las
com medo, já que víamos nuvens de mosquitos
na varanda”, conta. O publicitário
diz ainda que sempre manteve tudo “dentro
dos conformes” para evitar a proliferação
dos mosquitos em sua casa.
Gerente-geral da Insetisan, empresa
com quase 60 anos de existência, Telles
Gonçalves Grillo diz que a limpeza é fundamental
para evitar os insetos. “Além das
instruções de praxe, que todos já conhecem,
o cuidado com o lixo também é muito
importante. E não vale esquecer os banheiros:
deixar a tampa do vaso sanitário
fechada é sempre bom. E naqueles pouco
usados, dar descarga uma vez por semana
e usar água sanitária com frequência
em qualquer grande reserva de água sem
consumo humano produzem significativas
melhorias”, aconselha.
Grillo diz ainda que a procura por serviços
de dedetização contra mosquitos
aumentou em 50% depois dos surtos de
dengue nos verões passados. No entanto,
segundo ele, o grande público acredita que
o problema é resolvido pelo fumacê (termonebulização),
já que se tem a falsa impressão
que a nuvem de fumaça eliminará
a praga. “O tratamento técnico executado
pela Insetisan lança mão de um sistema de
controle no qual atingimos não somente
o inseto adulto, mas o início do processo,
eliminando as larvas”, explica.
Outro fator importante, de acordo com
o executivo, está ligado ao horário ideal
para o combate aos mosquitos, que deve
ser feito no início da manhã ou no fim de
tarde. “Observamos empresas que realizam
a aplicação de fumacê em horários totalmente
adversos, criando um efeito pirotécnico
sem efetividade alguma”, adverte.
PRECAUÇÕES PARA EVITAR
OS MOSQUITOS EM CASA
O gerente-geral da Insetisan, Telles Gonçalves Grillo, aponta cinco pontos importantes
que devem ser levados em consideração para evitar o ataque de mosquitos:
• Espirais ou vaporizadores elétricos devem ser usados ao amanhecer e/ou no
fim da tarde, antes do pôr do sol, períodos em que os mosquitos mais picam.
• Mosquiteiros devem ser usados para cobrir as camas e outras áreas de repouso,
durante o dia e à noite, principalmente em casas com crianças.
• Repelentes podem ser aplicados no corpo, mas devem ser adotadas precauções
quando se tratar de crianças pequenas e idosos, em virtude da maior
sensibilidade da pele.
• Telas em portas e janelas são eficazes contra a entrada de mosquitos nas casas.
• O ar-condicionado apenas espanta o mosquito, pois reduz a temperatura e
a umidade do ar, mas não o mata. Com a baixa temperatura, ele terá mais
dificuldade para detectar onde estará sua possível vítima.
AJUDE A EVITAR A DENGUE
Por Vivien Bezerra de Mello
A dengue é uma virose transmitida
ao homem pelo mosquito Aedes aegypti.
A infecção pode ser causada por
qualquer um dos quatro tipos (1, 2, 3
e 4) do vírus da dengue. Em geral, os
sintomas são: febre alta, dor de cabeça
e muita dor no corpo. São comuns,
também, sensação de intenso cansaço,
falta de apetite, náuseas e vômitos.
Ok, essas notícias não são nenhum
furo de reportagem, mas quem nunca
passou por isso conhece alguém bem
próximo que passou. Portanto, é dever de
todos evitar que a doença volte a ser uma
epidemia, a exemplo de verões passados.
Os síndicos são importantes aliados
na prevenção da doença nos condomínios,
pois podem mobilizar os moradores
para que ajudem a combater
a dengue. O espírito de coletividade
deve prevalecer, e todos devem tomar
precauções, não deixando água acumulada
em reservatórios. Mas as medidas
de combate à doença só são eficientes
se abraçadas por todos. Afinal, de que
adianta um morador ser muito cuidadoso
se depois ele pode ser picado pelo
mosquito “criado” na casa do vizinho do
apartamento ao lado?
Além de mobilizar os moradores, os
síndicos devem verificar as áreas comuns
do edifício, com atenção a todos os locais
que podem acumular água (fosso do
elevador, cisternas, caixas-d'água, ralos
de águas pluviais, ralos e sanitários dos
apartamentos vazios, piscina etc.).
Toda atenção é pouca, pois o verão
é época de chuvas, e o aumento de áreas
alagadas forma inúmeros berçários
naturais e artificiais para o desenvolvimento
das larvas do Aedes aegypti.
Aliás, nunca é demais lembrar que o
ovo do mosquito pode resistir a áreas
secas por mais de um ano e quando
chegam as chuvas, o contato da água
faz com que ele retome imediatamente
seu processo de desenvolvimento e se
torne um inseto adulto. Tecnicamente
estamos falando de uma praga – que
temos que combater com muita força
de vontade.
Segundo uma pesquisa da Secretaria
de Estado de Saúde e Defesa Civil, que
mostra o índice de infestação de larvas
do mosquito numa determinada região,
os principais criadouros de mosquitos são
encontrados nos locais que já são velhos
conhecidos nossos e que estão listados
a seguir. Faça sua parte e evite mais um
verão com essa dor de cabeça.
Veja o que evitar:
• Entulhos;
• Garrafas vazias que podem acumular água;
• Recipientes plásticos, latas e sucatas abandonadas;
• Vasos de plantas que armazenem água e caixas-d´água destampadas.
|