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Segurança é responsabilidade de todos: síndicos, moradores e funcionários

No ano que passou, [2009? Acho melhor
especificar o ano] síndicos de todas as
regiões do Rio viveram períodos de tensão.
O medo tomou conta de moradores de
condomínio, apreensivos com as invasões
de bandidos que pipocaram na cidade,
especialmente na Zona Sul, com picos de
ocorrência de julho a setembro de 2009,
de acordo com balanço feito pela própria
Polícia Militar. Nas rodas de conversa, uma
só preocupação: como manter o prédio seguro e evitar situações de risco. Em janeiro, época de férias e grande movimentação
nas ruas, o tema vem novamente à tona.
Esta matéria traz dicas importantes de
especialistas e da própria polícia, a fim de
evitar assaltos e manter todos a salvo. Porque
a prevenção pode ser a melhor arma,
em qualquer época do ano.
De acordo com o Instituto de Segurança
Pública, o índice de assaltos a residências aumentou 20% na cidade no ano passado
em relação a 2008. Muitos se questionam
se o fato gerador não seria a atuação das
Unidades de Polícia Pacificadora, do governo
do estado, que estariam tirando os
bandidos das comunidades, levando-os a
praticar crimes no asfalto. Para o tenente
Daniel Teixeira, relações-públicas do 19º
Batalhão de Polícia Militar (Copacabana),
trata-se de uma coincidência: “No ano
passado, fomos surpreendidos por uma
quadrilha de seis elementos que haviam
sido recém-libertados, com histórico de terem
praticado esse tipo de crime.”
A boa notícia, afirma o policial, é que o
bando foi desbaratado. “Em quase todos os
casos de invasão a condomínios podemos
observar algumas características comuns”,
alerta Teixeira, lembrando que a entrada de
bandidos se dá, principalmente, por fatores
como: morador envolvido com uso de
drogas, que acaba indiretamente dando dicas do local onde mora, funcionários de
portaria ou empregados dos apartamentos
que facilitam, mal-intencionados ou não, o
acesso dos marginais e o repasse de informações
pessoais relacionadas ao patrimônio
dos condôminos.
Outros dois pontos a serem levados
em consideração, diz Teixeira, são a abordagem
e o vestuário dos invasores. “Eles
agem principalmente em cima das falhas
dos porteiros ou moradores e entram nos
prédios sem fazer alarde, caso contrário
estariam mais vulneráveis a denúncias. E
se vestem muito bem, com roupas de marca”,
descreve. A dica mais importante, diz,é para os porteiros: não permitir a entrada
de ninguém, mesmo de mulheres supostamente
grávidas, prestadores de serviços
uniformizados ou oficiais de justiça, sem
avisar por interfone ao morador que receberá
a visita. Esse cuidado simples pode
evitar muita dor de cabeça.
Equipamento certo
O consultor em segurança predial do Secovi-
Rio, Raimundo Castro – que atua como
instrutor do curso de Segurança Predial do
Secovi-Rio –, é enfático: de nada adiantam
recursos humanos treinados se o prédio não
tiver um mínimo de estrutura para coibir invasões.
O treinamento, aliás, deve ser visto
com atenção pelos síndicos do Rio. Castro revela
que dos 120 mil profissionais que atuam
em portarias na cidade, incluindo porteiros,
zeladores e até mesmo faxineiros que dão
apoio em horários de almoço e férias, algo
em torno de 95% não são capacitados.
Para o sócio-diretor da Portlarm, Paulo
Feio, que atua na área de equipamento eletrônico
para segurança, um condomínio minimamente
equipado não pode deixar de ter
circuito fechado de TV (CFTV) digital, interfonia
por PABX, que permite comunicação interna
sem a necessidade de passar pela portaria,
além de portões automáticos. O pacote ideal,
entretanto, teria mais alguns itens: alarme,
cerca elétrica e portões automatizados.
O custo médio para esse aparato fica entre
R$ 20 mil e R$ 30 mil, variando de acordo
com a análise de cada caso. Os valores,
entretanto, podem ir muito além. Segundo
Castro, em um condomínio vertical com 80
unidades é possível que sejam gastos até R$
100 mil se for comprado equipamento de
ponta. “Diante das ocorrências do ano passado,
tivemos um aumento na procura desse
equipamento em torno de 40% a 45%”,
revela Paulo Feio. Ele afirma ainda que 90% da demanda residencial vem de Copacabana,
Ipanema, Leblon e Tijuca. Barra da Tijuca
e Recreio também estão no rol.
Infelizmente, diz o executivo, de um
total de 32 mil condomínios no Estado do
Rio, apenas 20% estão satisfatoriamente
equipados para lidar com situações de risco.
Esse é o caso do condomínio do edifício
Bandeirante Jerônimo Leitão, de Jacarepaguá,
onde o síndico Mário Buregio de Lima
confere ao tema toda a atenção que ele
merece. No cargo há 12 anos, ele diz que o
foco é o treinamento dos nove funcionários,
sem deixar de lado, claro, a instalação dos
itens de segurança. “Zelamos pela qualificação
inscrevendo-os em curso de segurança
e combate a incêndio, entre outros.”
De grande porte, o edifício, que é administrado
pela CIPA, com 12 andares e
97 apartamentos, mais playground, garagem,
cobertura e salão de festa, precisa
ser bem monitorado: são 26 câmeras
espalhadas pela garagem e demais áreas
comuns (inclusive portões de entrada) ligadas
por CFTV. As imagens são gravadas
ininterruptamente e todo o movimento é
acompanhado da sala da administração. A
portaria tem funcionários a postos durante
24 horas todos os dias. O aparato custou
cerca de R$ 15 mil. “Além de nos proteger
contra invasores, acabamos mantendo a
ordem dentro do condomínio. Os moradores
convivem com a sensação de segurança”,
alegra-se Lima.
Vigilantes são bem-vindos
Que porteiros atentos minimizam riscos
de assaltos, isso ninguém duvida. Mas
a dobradinha com vigilantes profissionais
uniformizados e bem treinados pode contribuir
para a segurança dos moradores. É
o que recomenda o presidente do Sindicato
dos Vigilantes do Município do Rio,
Fernando Bandeira. Porém, é prudente ter
cautela na hora da contratação, afinal,
estima-se que existam no Rio cerca de 90
mil vigilantes ilegais, contra 30 mil em situação
regular.
Uma das maneiras de se resguardar é
procurar o Sindicato das Empresas de Segurança
Privada do Estado do Rio, o Sindesp,
que fica na Avenida Paulo de Frontin,
383, Rio Comprido (2293-4354 ou 2273-
3956). Lá os síndicos encontram uma relação
de empresas legalizadas e prontas para
oferecer mão de obra de qualidade.
“Um vigilante de acordo com os padrões
deve ter carteirinha da Polícia Federal,
que ele obtém após um rigoroso curso
de 20 dias de duração, no qual recebe noções
de controle de armamento, manuseio
de armas, defesa pessoal, primeiros socorros,
combate a incêndio e como proceder
em casos de acidentes e assaltos, entre
outros pontos”, explica Bandeira. Convém
também prestar atenção na legislação: a
Lei nº 7.102/83 é a que dispõe sobre o funcionamento
das empresas particulares que
exploram serviços de vigilância e de transporte
de valores.
Leonardo Valente, gerente comercial
da Transvip, empresa de transporte de
valores, escolta e vigilância condominial,
acredita que ainda não está difundida nos
condomínios cariocas residenciais a prática
da contratação de seguranças, principalmente
armados. “Isso é mais comum
em condomínios em que existem áreas
abertas e mais amplas. Sem dúvidas a presença
desses profissionais inibe qualquer
ação de bandidos.”
Há quem acredite que o modelo de
terceirização possa oferecer mais riscos,
já que o quadro de profissionais pode ser
alterado com frequência. Guilherme Kuhnert,
da Madalenense Locação e Serviços,
que atua fornecendo porteiros, auxiliares
de portaria, recepcionistas, vigias noturnos,
ascensoristas e funcionários de limpeza,
concorda: “Evitamos a rotatividade, que
pode ser prejudicial, sim. Em time que está
ganhando não se mexe.”
Toda atenção nos prédios comerciais
Nos prédios voltados para atividades de
comércio ou serviços, a movimentação de
pessoas é ainda maior, por isso o cuidado
deve ser redobrado. No Centro da cidade,
onde circulam milhares de transeuntes de segunda
a sexta-feira, a situação pode ser ainda
mais complicada. Maurício Moisés, síndico
do edifício Visconde do Rio Claro – localizado
na Avenida Rio Branco e administrado pela
CIPA –, está ligado: “Tem que acompanhar
sempre a evolução da tecnologia.”
Ele conta que em 2005 investiu cerca
de R$ 30 mil para a instalação de CFTV em
todo o condomínio, composto por 21 andares,
sendo 44 unidades autônomas, com
negócios que vão desde agências bancárias,
escritórios de advocacia e de comércio
exterior, a agentes financeiros etc. A
média de movimentação é de 1,5 mil a 2
mil pessoas diariamente. “Dotamos o condomínio
com moderno sistema digital de
monitoramento e gravação. As 32 câmeras
foram instaladas em locais estratégicos
(hall dos elevadores em cada pavimento,
terraço, marquises, elevadores e portaria)
para proporcionar melhor visualização da
movimentação e facilitar o monitoramento
pelos seguranças do prédio”, descreve.
Antes da instalação do equipamento, o
edifício sofria uma média de três assaltos
e arrombamentos a cada seis meses. Em
2009, o Visconde do Rio Claro não registrou
uma só ocorrência. “Não paramos por
aqui, pretendemos investir na modernização
do equipamento. Pelo último levantamento
de preços, estamos prevendo um
gasto em torno de R$ 20 mil para 2010.” Os
15 funcionários são treinados para auxiliar
na segurança. “Orientamos todos para que
observem se as pessoas que circulam nas áreas comuns são usuárias habituais ou
desconhecidas. Quando identificam atitudes
suspeitas, comunicam imediatamenteà portaria ou a um dos dois vigilantes terceirizados,
que não trabalham armados”.
Leonardo Valente, da Transvip, recomenda
que os prédios comerciais elaborem
um cadastro de visitantes, a ser identificados
com base em arquivo fotográfico.É importante lembrar: todos devem ser
anunciados. “O que muda em relação aos
condomínios residenciais é, principalmente,
o trânsito constante de pessoas estranhas,
que exige capacitação e experiência
por parte da equipe de segurança/porteiros
para lidar com situações de crise e todos os
tipos de ocorrência”, acredita Valente.
Paulo Feio, da Portlarm, dá uma dica: “Como os prédios comerciais normalmente
têm uma receita maior, podem investir
em equipamento mais moderno, como
os sensores biométricos (como os utilizados
nas academias de ginástica), que
funcionam através de leitura de digitais,
nos acessos à garagem ou ao prédio”. Se o
prédio não tiver CFTV com computador, a
instalação pode custar cerca de R$ 7 mil.
Para o residencial, o custo seria de R$ 3
mil. Já os que tiverem CFTV poderão desembolsar
apenas R$ 2 mil.
O síndico Maurício Moisés, que é também
especializado em administração condominial,
reforça que mesmo com as facilidades
oferecidas pela internet, é comum
empresários realizarem transporte de valores
por meio de mensageiros, que acabam
circulando com grandes somas pela entrada
do prédio ou nos elevadores, tornandose
presas fáceis para os assaltantes.
“As iniciativas de proteção devem ser
tomadas de acordo com as características
de cada prédio. Muitos deles não possuem
espaço na portaria para a instalação de catracas
ou qualquer outro equipamento de
identificação. Nesse caso, o investimento
em monitoramento, qualificação e treinamento
dos funcionários e conscientização
dos condôminos é providência mais do que
necessária para minimizar a possibilidade
de assaltos”, diz Moisés..
Moradores também são responsáveis
O tenente Daniel Teixeira, do 19º BPM
(Copacabana), alerta: muitos casos de invasão
são facilitados pelos próprios moradores.
Portanto, toda atenção é necessária. Antes
de entrar no prédio, deve-se ficar alerta à
presença de pessoas suspeitas no entorno.
Se houver alguém com essas características,
não entre no prédio. Em vez disso, atravesse
a rua e ande mais uns cinco minutos até
perceber que o suspeito foi embora. Se estiver
de carro, verifique se não há ninguém
na cola. Segundo Teixeira, os assaltantes
costumam aproveitar a abertura do portão
para entrar nos prédios.
Outra tática é combinar códigos com
os porteiros. O tenente recomenda que o
morador sempre abra o vidro para que o
empregado da portaria possa ver quem
está dirigindo. Caso haja algum problema,
o morador pode piscar o farol no número
de vezes combinado previamente. É bom
estabelecer outro tipo de sinal para o caso
de ser rendido ao chegar a pé em casa. E
a recomendação básica: jamais reagir se o
bandido consumar o assalto.
Em hipótese alguma os moradores
devem dar detalhes sobre sua vida pessoal
nas áreas comuns do prédio. Alguém
mal-intencionado pode se aproveitar dessa
informação para cometer um delito. É primordial
não abrir a porta do apartamento
se a campainha tocar sem que o visitante
tenha sido anunciado pelo porteiro. Antes, é imprescindível interfonar para a portaria
e saber do que se trata.
Porteiros atentos
Eles são o cartão de visitas. E, infelizmente,
o portão de entrada para os bandidos.
Por isso, os síndicos devem fazer reuniões
regulares com eles, a fim de passar
toda orientação necessária. Cursos como
os da PM (gratuito) e do Secovi-Rio podem
fazer a diferença. O tenente Teixeira, do
19º BPM, afirma que em 2009 foram mais
de 220 alunos em quatro turmas (limite
de 70 participantes por classe). O número
de inscritos, entretanto, foi quase o dobro.
Os batalhões do Leblon e da Tijuca também
oferecem treinamento. Para fazer a
reserva em Copacabana, basta ligar para
(21) 2333-9250 ou enviar mensagem para
19bpm.p5@gmail.com.
Nos cursos, a primeira dica – e a mais
importante – é: entregadores devem ser
anunciados sempre. Quando se deparar
com entregadores de flores ou outros presentes,
que peçam para não ser anunciados
para não estragar a surpresa do morador,
o porteiro não deve abrir exceção. Serviço
de delivery termina na portaria. O tenente
Teixeira recomenda, inclusive, que o morador,
avisado previamente pelo interfone,
desça para pegar a encomenda.
Deve-se sempre verificar as credenciais
de funcionários de empresas de telefonia,
gás e outros serviços antes de abrir
o portão. As concessionárias de serviços
públicos têm períodos certos para fazer as
medições de água e gás, e o síndico deve
informar aos porteiros quais são essas datas.
Deve-se desconfiar da presença desses
funcionários fora do período de praxe. Visitas
a apartamentos que estejam à venda ou disponíveis para locação devem ser
agendadas previamente pelo funcionário
da administradora ou corretor.
Prédios podem fichar empregados
Embora os condomínios e as empresas
do segmento de comércio e serviços
imobiliários já façam o cadastro das informações
pessoais de seus funcionários,
foi sancionada, no dia 3 de setembro
de 2009, a Lei Estadual nº 5.529/2009,
de autoria do deputado Armando José
(PSB), que obriga os condomínios residenciais
e/ou comerciais em todo o Estado
a elaborar e manter um cadastro com
todas as informações pessoais de seus
funcionários e empregados contratados.
A medida tem como objetivo inibir a atuação
de marginais que procuram vagas
de porteiros e faxineiros.
De acordo com a nova lei, os dados
que devem constar no cadastro são:
identidade; CPF; PIS; número e série
da Carteira de Trabalho; Certificado de
Reservista Militar, no caso de empregados
do sexo masculino; número do
Título de Eleitor, com os devidos comprovantes
de votação nas três últimas
eleições; endereço residencial completo
do trabalhador, atestado por qualquer
documento de correspondência em que
conste o nome do funcionário.
Os empregados contratados pelos
condomínios ainda deverão informar,
periodicamente, em período nunca superior
a seis meses, seus endereços completos,
constando inclusive o Código de
Endereçamento Postal (CEP). Todas as
informações deverão ser comprovadas
por meio de cópias dos documentos
oficiais em nome do trabalhador, que
deverão ser devidamente confrontadas
com os documentos originais e mantidas
em arquivos próprios pelos condomínios
contratantes.
Em caso de descumprimento da
determinação, os órgãos oficiais de segurança
pública do Estado deverão ser
imediatamente informados para que
sejam aplicadas as sanções cabíveis, inclusive
multa, que será regulamentada
pelo Poder Executivo.
Moradores cadastrados. Pode?
Muitos acreditam que abastecer o
condomínio com informações de todos
os moradores pode colaborar com a segurança.
Mas para os que adotam essa
prática, cuidado: o Decreto 15.777, de
1922, que instituía o cadastro policial
para moradores, foi revogado pelo Decreto
11, de 1991.
Assim, inexiste imperativo legal que
obrigue qualquer condômino a fornecer
ficha dos moradores de sua unidade,
salvo se na escritura de convenção ou
no regimento interno do edifício houver
expressamente essa obrigatoriedade.
Por outro lado, a elaboração do cadastro
de moradores, para uso e arquivo
pela administração do condomínio, é
prática altamente recomendável, notadamente
levando-se em conta a segurança
da coletividade.
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A dobradinha com vigilantes profissionais
uniformizados e bem treinados pode contribui
para a segurança dos moradores. É o que
recomenda o presidente do Sindicato dos
Vigilantes do Município do Rio, Fernando Bandeira.

Regina Laginestra é coordenadora da ONG Reviverde, que realiza atividades de educação ambiental em condomínios residenciais e comerciais. Ela afirma que um projeto ecológico não envolve grandes investimentos.
 
Uma das maneiras de se resguardar é procurar
o Sindicato das Empresas
de Segurança Privada do
Estado do Rio, o Sindesp
Lá os síndicos encontram
uma relação de empresas legalizadas e prontas
para oferecer mão de
obra de qualidade.

Maurício Moisés, síndico do edifício Visconde do
Rio Claro: “Dota mos o condomínio com moderno
sistema digita l de monito ramento e gravação. As
32 câmeras foram insta ladas em locais estratégicos para proporcionar melhor visualização da
movimenta ção e facilita r o monito ramento pelos
seguranças do prédio”
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