Para nossa saúde psíquica é fundamental
encontrar boas notícias numa cidade cuja
administração retira os que dormem nas ruas
sem mesmo o direito de levar seus cobertores
e que recolhe os produtos dos camelôs sem
coerência, nem política, nem proposta.
Mas é ano-novo e ano novo é página
em branco na qual podemos escrever o que
quisermos, o que o desejo mandar, o que o
sonho inspirar. Tomara que tenhamos bastante
juízo (ou nenhum) para produzir um
texto inteligente, poético, revelador. E que
sejamos felizes e façamos os outros felizes
também na década que começa.
Já que falamos de páginas e textos e da
possibilidade de construção da tão perseguida
felicidade, a Bem Dita! anuncia boas
novidades na área da literatura, essa arte
impregnada de vida, promovedora de voos
e transformações.
2010 PROMETE! |
Bibliotecas do PAC - e da Paz
Neste ano, novíssimas bibliotecas públicas
serão inauguradas. Novas no aspecto
fisco e modernas no conceito.
No Rio, com a Superintendência da Leitura
e do Conhecimento da Secretaria de
Estado de Cultura, o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) oferecerá ao público
a Biblioteca Parque de Manguinhos, a
Biblioteca do Centro Cultural da Rocinha e
a Biblioteca do Alemão. Com cerca de 20
setores, os usuários terão nas bibliotecas
acesso livre às estantes, aos acervos diversificados
e às novidades do mercado editorial,
empréstimo domiciliar, capacitação
digital, acesso gratuito à internet, acesso
gratuito à biblioteca digital, catálogo bibliográfico
on-line, audição individual de
música, sessão individual e coletiva de filmes,
serviços para portadores de necessidades
especiais, atividades com crianças e jovens, atividades de promoção de leitura,
encontros comunitários e visitas guiadas.
A exemplo de Medellín, na Colômbia, um
teleférico cruzará o Complexo do Alemão
levando as pessoas à biblioteca.
Em todo o mundo, as bibliotecas passam
por grandes transformações para que
livros, espaços e mobiliário estejam a serviço
de uma vida melhor para o usuário.
As novas bibliotecas do PAC oferecerão
leitura em diferentes suportes, com grande
oferta documental eletrônica, ambientes
agradáveis, mobiliário despojado e confortável,
que permitam momentos de estudo
e prazer, além de locais apropriados para
atividades culturais e serviços diversos. A
biblioteca, assim, se tornará um espaço
atraente para desempenhar, de forma integral,
seu papel na formação do cidadão.É nessa visão ampla de cultura que reside a base conceitual das modernas bibliotecas
parques - bibliotecas públicas multifuncionais
em área de risco -, que têm como
missão o acesso imediato à informação, a
transformação social, a diminuição da violência
e a criação de espaços de convivência
da comunidade.
Segundo o Manifesto da Unesco, a “biblioteca pública - porta de acesso local
ao conhecimento - fornece as condições
básicas para uma aprendizagem contínua,
para uma tomada de decisão independente
e para o desenvolvimento cultural dos
indivíduos e dos grupos sociais”.
Como a Bem Dita! se comprometeu a
divulgar as ações da Fundação Darcy Ribeiro
(www.fundar.org.br), presidida por
Paulo Ribeiro, informamos que em dezembro
passado foi lançado o quarto volume
da Coleção Franceses do Brasil, com crônicas
dos séculos XVI e XVII, e em novembro,
durante as comemorações de 87 anos do
professor Darcy Ribeiro, foram lançados a
reedição da obra Testemunho e o volume
da coleção franceses no Brasil, com cartas
do cosmógrafo André Thevet, e do caderno
8 da série fazimentos, dedicada à política
de tombamento instituída por Darcy Ribeiro,
quando vice-governador e secretário de
Ciência e Cultura no primeiro governo de
Leonel Brizola. “Nos primeiros anos da década
de 1980, o tombamento de áreas culturais
e naturais revelou-se uma estratégia
para frear a acelerada destruição desses
bens.” Segundo Paulo Ribeiro, a publicação
é também uma homenagem a ítalo Campofi
orito, parceiro de Darcy na política de
tombamentos e salvação e que, na época,
estava à frente do Instituto Estadual de Patrimônio
Cultural (Inepac).
“O tombamento é um santo remédio.”
Assim Darcy sintetizou as ações que tentaram
proteger da destruição os bondes
de Santa Teresa, a Ilha Fiscal, as Dunas
de Cabo Frio, a Rua da Carioca, a Fundição
Progresso e o litoral fluminense. Como
fã que sou do Darcy, foi uma alegria ver
minha reportagem “Litoral fl uminense
tombado” publicada no caderno 8 de fazimentos.
Pena que as ações de preservação
que o saudoso professor sonhou, projetou
e executou precisam ainda de proteção
porque a lei de tombamento não é integralmente
obedecida.
Temos um exemplar para você que nos
mandar uma boa notícia.
Caravanas Euclidianas
O Ministério da Educação e a UniRio vão
realizar, a partir de março, as Caravanas Euclidianas
para levar Euclides da Cunha aos
professores e estudantes do Estado do Rio
de Janeiro. O projeto consiste no lançamento
do filme A paz É dourada, de Noilton
Nunes, inspirado na vida e obra do autor de
Os sertões, acompanhado de palestras, debates
e de uma ofi cina audiovisual na qual
os jovens poderão trabalhar com os capítulos
do livro (“A Terra”, “O Homem” e “A Luta”)
que servirão de base para a documentação
do cotidiano das diversas regiões do estado.
A apresentação do filme, seguida de debate
com o diretor, foi um sucesso na Ofi cina de
Leitura & Expressão da Biblioteca Pública
do Estado, que ocorre semanalmente na biblioteca
do Centro Cultural Light. Em 2010,
apresentaremos o fi lme de novo.
www.brasilliterario.com.br
Durante a Flip 2009, o Instituto C&A, a
Associação Casa Azul, a Fundação Nacional
do Livro Infantil e Juvenil, o Instituto
Ecofuturo e o Centro de Cultura Luiz Freire
promoveram debate sobre a importância
da leitura literária e de políticas de promoção
da leitura. Na ocasião, o escritor e poeta
Bartolomeu Campos de Queirós, indicado
para o Prêmio Hans Christian Andersen, leu
o “Manifesto por um Brasil Literário”, de sua
autoria. O objetivo desse documento é acolher
propostas e engajar o maior número de
pessoas em torno dessa causa. O manifesto
já está circulando pela internet e pode ser
assinado no site www.brasilliterario.org.br,
que abriga um fórum de discussão, enquetes
e notícias com essa temática.
Em dezembro, Bartolomeu passou, com
sua sábia mineirice, pela Biblioteca Nacional,
onde participou de uma conversa com
leitores mediada pelos ilustradores Roger
Mello e Graça Lima. Para vocês, trechos de
seu poético depoimento:
"Eu sou mais parado em cima da palavra.
Nunca desenhei nem tive coragem
para isso. Meu gesto é muito contido. Não tenho a liberdade de deixar vir à tona o
gesto. Sou do tempo em que a etiqueta ficava
do lado de dentro da roupa. (...) A metáforaé uma figura política dentro do texto
mas também esconde o autor. Não gosto
do explícito. A arte não tenta desvendar o
mistério. (...) O grande prazer de um texto é
depois de escrevê-lo lê-lo em voz alta para
ver se a frase tem um tamanho bom, se
cabe minha respiração. O grande gozo da
escrita é dizer: ‘Eu não sabia que eu sabia
isso.’ Fico surpreso com meu texto. Aí acredito
em inconsciente. Só a liberdade deixa
vir à tona. Experimenta-se a liberdade em
plena solidão. (...) Não sou muito adepto da
Academia. A vida acadêmica nunca me cativou,
mas gosto muito quando meu trabalho
passa pelas mãos dos críticos. Sou um
cara da liberdade - leio o que gosto, quando
gosto. Ser indicado para o Prêmio Andersen
me faz ficar mais exigente. (...) A frase
da Geneviève Patte [bibliotecária francesa]
- A criança precisa do adulto - me desloca
e me pergunto: a criança precisa do que
faço? (...) Toda vez que você procura uma
rima, enfraquece a poesia. Quando ela fluié que é bom. (...) Há o leitor pelo consumo
externo e há o leitor pelo consumo interno
que faz uma leitura reflexiva, que atordoa,
que lê uma literatura que pode trazer
certa paz. Educação pela arte é educação
pela paz. A beleza compartilha, congrega.
A beleza exige o outro de seu lado; ver a
beleza sozinho é triste. (...) Precisamos de
leitores que sejam capazes de se sensibilizarem
com a poesia que circula no mundo.
Precisamos de um Brasil capaz de saber o
que é digno e o que é indigno. (...) A família,
a escola, a biblioteca não dão conta. Por
que não bons textos nas contas de água,
de luz, de telefone? (...) A arte congrega
todo mundo. Saio do show da Betânia com
vontade de trabalhar. A beleza tem força movedora. (...) Nascer é inaugurar-se em
alfabetização. A escola é apenas mais uma
leitura. Todos que entram nela já sabem ler.
A vida não nos deixa analfabetos. Somos
condenados à leitura. A do alfabeto é apenas
mais uma leitura. Ler demanda trabalho
- nem sempre é entretenimento. (...) Na
psicanálise existe um sujeito que te ouve.
Na literatura, o livro, um objeto, te escuta.É importante o papel do mediador de
leitura. (...) Carregamos dentro de nós uma
fantasia que só contamos para nós mesmos.
Quando encontramos um texto que
conversa com essa fantasia, nos tornamos
leitores. (...) Cito Foucault: ‘O que o leitor lê
não é a frase que escrevo, mas o silêncio
que deixo nas frases.’ (...) Dou conta de usar
o computador mas não dou conta de saber
quem botou o desejo do açúcar no coração
da formiga. O mistério está no lixo, como
diz Manoel de Barros. Que consciência de
sua fragilidade tem o caramujo - vomita
uma gosma para fazer o caminho e não
se machucar. (...) No meu livro Tempo de
Voo tem uma enorme saudade do mundo.
Doeu na pele. Paul Valéry disse que a parte
mais profunda do homem é a pele. Viver é
o maior escândalo."
E mais um humor com a mormota, o jornal
O escritor e colaborador da Condomínio
Márcio Paschoal apresenta este divertido jornal
ou, melhor e carinhosamente, jornaleco:
“Mais uma Marmota. Terceira na nobre
linhagem desse roedor bem-humorado.
O tema escolhido dessa vez foi aberto, ou
seja, aberto a todo tipo de sexo, estranhezas,
novas drogas, filosofia caríssima, discussão
das relações e demais assuntos que possam
envolver a pilhéria como leitmotiv.
São textos corajosamente escritos e assinados
por pessoas que nem sempre têm envolvimento
com a literatura clássica grega de
uma forma geral, embora alguns sejam escritores,
cantores, atores, roteiristas, jornalistas
e, no fundo, caras de pau de plantão.
Por falar nisso, nesta edição de fim de
ano (e de linha) trazemos a corajosa entrevista,
com direito à charge de Ique, do“cara de pau” Marcius Melhem, na qual ele
não diz nada de muito importante mesmo.
Mas não afina. Fala tudo o que pensa e lhe
vem à cabeça. Nessa ordem.
Divirta-se também com um depoimento
sincero que põe fim à mítica celebração das
performances sexuais masculinas; o diálogo
de uma adolescente madura e uma mãe
adolescente; a certeza de que às vezes somos
lembrados apenas por uma frase; as magias
de um desencontro; um sequestro sexual de
uma cabeleireira russa; o despertar para o
teatro no papel de um corvo; a história surreal
de três amigas divididas; Hegel à vontade
e sem meias palavras; um guia prático
para mulheres aflitas na internet; dois cocôs
num papo cabeça; o politicamente incorreto
traduzido nas conversas; um novo tipo de
mulher: a blindada; o alerta: nunca chame
seu filho de esforçado; o testemunho de que
a pressa não leva a nada e só faz você ficar
atrasado; e o incrível relato do tarado que
come cavalo (sem bife e batata frita).
Histrionismo, literatura, teatro e humor
fino e educado a dar com o pênis. E
se isso não for o suficiente para sermos
considerados positivamente bizarros e
intelectualmente sensuais, não nos chamem
mais de marmotas.”
Quem se interessar em virar um marmota
ou marmoteiro pode escrever para
esta coluna.
Nasceu a revista BURITI
Ao lançar a revista Buriti, o Programa
Nacional de Incentivo à Leitura (Proler),
da Fundação Biblioteca Nacional - MinC,
cumpre mais uma de suas atribuições, que é produzir publicações que sirvam como
material de apoio ao trabalho pedagógico
de formar profissionais de leitura e escrita.
A revista semestral - que tem seções
de ensaios, entrevistas, depoimentos e indicações
de leituras - é gratuita para as
bibliotecas públicas e os comitês do Proler
mas também pode ser comprada na Biblioteca
Nacional. O próximo número deverá
sair em fevereiro. A editora Suzana
Vargas informa no editorial que a publicação
"também serve como instrumento
concreto de atualização e interação para
as muitas descobertas que a leitura pode
proporcionar não somente aos envolvidos
com programas de leitura, mas ao cidadão
comum. (...) Em suas linhas gerais, o primeiro
número procura contemplar os diversos
setores do universo da leitura com um material que seja, principalmente, útil
aos profissionais que sobre ela pensam e
com ela trabalham.”
Para Muniz Sodré, presidente da Biblioteca
Nacional, "a revista Buriti, como
a palmeira de onde vem o nome, é uma
promessa de sabor e fibra para os debates
entre os que se comprometem com a expansão
do ato de ler".
Você, leitor(a), que nos enviar uma frase
ou texto com uma boa notícia receberá
uma Buriti.
PRO JETO DE SEGURANÇA
DE IPANEMA (PSI ) –
agenda de 2010
A boa-nova é que o Colégio Notre Dame
(Rua Barão da Torre, 308) sediará as reuniões
quinzenais do PSI, importante ação civil que
vem sendo divulgada pela Bem Dita! “Temos
certeza de que a parceria que se inicia será
de grande valia tanto para nós como para a
escola. A presença de alunos, seus pais ou
funcionários do colégio em nossas reuniões
só vai enriquecê-las. Para os jovens alunos
será uma oportunidade rara de presenciar
a evolução e organização de um projeto de
cidadania que será, sem dúvida, muito benéfico
para a formação de cidadãos responsáveis,
conscientes e compromissados com
o destino da cidade onde moram”, diz Ignez
Barreto, coordenadora do PSI.
Seguem as datas, para 2010, das reuniões que são abertas para quem quiser participar:
janeiro - dias 12 e 26; fevereiro - 9 e 23; março
- 9 e 23; abril - 6 e 27; maio - 11 e 25;
junho - 8 e 22; julho - 13 e 27; agosto - 10
e 24; setembro - 14 e 28; outubro - 19; novembro
- 9 e 23 e dezembro - 7.