
A prefeitura do Rio de Janeiro está estudando
mudanças na cobrança do IPTU. A
intenção é melhorar a arrecadação e tornar
a tributação mais justa.
Em setembro, foi apresentado, em audiência
pública na câmara de vereadores,
o diagnóstico da Secretaria Municipal de
Fazenda. Entre as piores distorções apontadas
no estudo estão R$ 73 milhões não
recolhidos ano passado de cerca de um milhão
de residências, comércios e terrenos
isentos. Ou seja: não pagam imposto 68%
dos imóveis cadastrados.
De acordo com os técnicos da Fazenda,
a defasagem da planta de valores (o
quanto vale o imóvel) é uma das principais
causadoras das distorções. A planta
de valores é usada para a base de cálculo
do imposto, e sua última atualização foi
em 1998. isso causou defasagens sérias, a
exemplo do que se percebe em copacabana:
esse foi o bairro da Zona sul com mais
imóveis isentos, apesar da valorização nos últimos 11 anos.
Segundo andrea gouvêa vieira (PSDB),
da comissão de Finanças e orçamento da
câmara, "num apartamento de R$ 80 mil
em copacabana o dono paga condomínio,
luz e gás mas não paga iPtu. É um absurdo",
ressalta ela.
Fim da alíquota única
a secretaria municipal de Fazenda propõe
redefinir tipos de imóvel para ajustar a
base de cálculo - incluindo “puxadinhos”
em favelas e em coberturas de prédios ampliados
sem o acerto no cadastro. Faz parte
também da proposta o fim da alíquotaúnica, criando progressão de índices, como
existe em outras cidades.
"Queremos otimizar a arrecadação e
acabar com as injustiças fiscais", afirma a
secretária eduarda la Rocque. "o IPTU é
uma das principais bases de sustentação
da cidade. não pode só 32% dos imóveis
colaborarem", completa andrea.
A intenção da Fazenda é obter parecer
dos vereadores para eles decidirem se
fim da alíquota única a melhoria da cobrança implica alteração
da legislação. mas a câmara não se mostra
disposta a entrar na briga para alterar o
IPTU. "Quem deve arcar com o risco político
de fazer 68% daqueles imóveis começarem
a pagar é o prefeito. a prerrogativa legal
(de mexer em tributos) é dele. Podemos fazer
audiências públicas", frisa andrea.
O prefeito eduardo Paes confirmou que
os dados dão transparência à cobrança do
imposto e que não há mudança imediata
prevista no IPTU, pois o estudo é preliminar.
A Secretaria de Fazenda avisou ainda que o
diagnóstico não apontou a necessidade de
aumento da alíquota atual de 1,2%, o que
poderia reajustar o tributo.