
Quem nunca sonhou em morar na
beira da praia que atire a primeira pedra –
portuguesa, com certeza. Morar de frente
para a praia e apreciar o mar e o calçadão
desenhado com as famosas pedras portuguesas é um prazer e tanto.
A compra de uma casa próxima ao mar
pode ser muito agradável, pero no mucho,
pois na hora de efetuar a compra pode-se
perceber que há um custo extra para sentir
os ares marítmos. estamos falando do
laudêmio, o imposto devido pela localização
do bem próximo a áreas da marinha
(orla, ilhas e lagoas). Ele representa uma
taxa de 5% do valor do terreno. imóveis
recebidos através de herança ou doação
não pagam o tributo.
Poucas pessoas sabem, mas o imposto
deve ser pago pelo proprietário, e não
pelo comprador, mas na maioria das vezes,
por desconhecer a lei, o comprador acaba
pagando pela taxa, que, incluída no valor
final da compra, inflaciona as vendas.
O comprador, ao adquirir um imóvel
situado em terreno da marinha, além das
verificações normais, também deve conferir
se o imóvel já está inscrito e, consequentemente,
já tem o Registro imobiliário Patrimonial
(RIP) na Secretaria do Patrimônio da
União. Caso o registro já exista, o comprador
deve observar se o pagamento das taxas
de ocupação está em dia. Se o imóvel ainda
não estiver inscrito, apesar de possuir escritura,
o comprador deverá negociar a favor
de uma possível diferença de laudêmio.
As informações sobre regularização e
valor do laudêmio podem ser obtidas no
site do ministério do Planejamento, Orçamento
e Gestão (www.atendimentovirtual.
spu.planejamento.gov.br).
Só no Rio de Janeiro são 107 mil imóveis
penalizados com o laudêmio, o que faz do
estado o campeão em arrecadação no Brasil,
segundo a secretaria de Patrimônio da união
(SPU). no ano passado, foram arrecadados
R$ 56 milhões para os cofres públicos.
Em Niterói, o prefeito Godofredo Pinto
extinguiu, no ano passado, o laudêmio de
imóveis vendidos em 34 ruas do centro, do
Bairro de Fátima, de São Lourenço, de S ão
Domingos e do Ingá.
Um pouco de história
O laudêmio existe desde a época da
colonização, quando a coroa Portuguesa
autorizava a utilização da terra mediante
pagamento de uma pensão anual conhecida
como foro, e persiste até hoje para
terrenos da Iigreja, da União, do Município
e de algumas famílias.
A taxação sobre os terrenos da Marinha
data da invasão francesa e surgiu como
uma taxa de proteção de guerra, pelo custeio
das fortificações contra os invasores.
No que se refere à propriedade dessas
terras/imóveis, denominados foreiros, hoje
consta que a União Federal possui e detém
30% deles, enquanto a Igreja Católica possui
60%, ficando o restante com particulares e
com herdeiros da família imperial brasileira.
Os proprietários de imóveis foreiros
pagam laudêmio a cada transação de troca
de propriedade. Quem não tem como
comprovar título de propriedade anterior
a 1946 paga 5% ao ano.
Cobrança do laudêmio em xeque
O laudêmio pode estar prestes
a deixar de existir. O primeiro passo
nessa direção foi sua suspensão por
tempo indeterminado depois de terem
sido provadas controvérsias em sua cobrança
na Região Oceânica de Niterói
e em algumas localidades litorâneas do
Rio. A decisão foi tomada em setembro
pela desembargadora Salete Maccalóz,
da 7ª turma especializada do TRF.
“Na Região Oceânica de Niterói ocorreu
um fato que causou a mobilização. As
pessoas compravam imóveis e não eram
informadas sobre a obrigatoriedade de
pagar o laudêmio. tiravam certidões, documentos
e nenhuma irregularidade era
apontada, até tentarem vender o imóvel.
Nesse momento, esse imposto passava a
ser exigido para a venda ser oficializada”,
explica o presidente da Associação dos
Moradores do Jardim Imbuí, em Niterói,
Renan Lacerda.
A estranheza da situação levou
o Deputado Estadual Paulo Ramos
(PDT) a abrir CPI para apurar o porquê
de a cobrança estar sendo feita
dessa maneira. O advogado da associação
dos moradores, José Marinho
dos Santos, conseguiu três decisões
contra a Secretaria de Patrimônio da
União, das quais uma delas suspende
a cobrança desse imposto por tempo
indeterminado.
A suspensão abre brecha para
outras medidas mais incisivas contra
o laudêmio, como a diminuição do
valor bruto do imposto e o fim definitivo dele. “Gostaríamos de saber
também onde foi parar esse dinheiro
de imposto pago até aqui, pois dizem
que ele vai para a Marinha, mas
esta nunca nos proporcionou nada”,
reclama Renan.