43-OUT NOV DEZ 2009
 


» EDITORIAL

A grande crise está fazendo um ano
Newton Mendonça


Felizmente, o mundo não acabou - embora tenha sofrido uma grande transformação em sua estrutura. Paradoxalmente, os países emergentes se equilibraram e mostraram aos desenvolvidos algumas posições de cautela que não foram observadas por estes.

No Brasil, já existem claros sinais de que a recessão não se instalou, e apesar de nossas exportações terem diminuído muito e da desvalorização do dólar, nosso mercado interno, com medidas de desoneração de impostos, reagiu bem. a indústria automobilística é uma prova disso e volta a contratar depois da onda de demissões, o que é um forte sinal do término da crise.

Certamente teremos um crescimento muito pequeno, mas também uma inflação controlada e dentro dos níveis estabelecidos pelo Banco central. Os países desenvolvidos já aceitam ouvir e negociar concessões, atitude antes impossível em função do protecionismo que não deixava que os menos desenvolvidos tivessem qualquer chance. A nova gestão do presidente americano é claramente no sentido de negociar, e não de colocar mais o país na posição de imperialista habitual.

Aguardamos melhores dias para 2010 em todo o mundo, naturalmente com restrições causadas pela grande crise. em nosso país o que nos preocupa agora é o momento político. hoje estamos assistindo a cenas vergonhosas por parte do senado e, principalmente, do presidente Lula, que a qualquer custo - ético ou moral - visa à eleição de seu sucessor.

A famosa tropa de choque que representa o governo se mostra sem nenhum escrúpulo e nenhuma disposição para apurar os fatos gravíssimos que têm ocorrido.

O presidente Lula, com 80% de popularidade, despreza os partidos, inclusive o seu, e segue fazendo aliança com políticos contra os quais, em outras ocasiões, com extrema revolta, fazia acusações gravíssimas, chegando ao ponto de classificá-los como ladrões. Hoje se une a eles para, a qualquer custo, alcançar a sucessão.

A grande esperança está na força da mídia e da população informada. A mídia, por conta da divulgação dos fatos, e a população informada, obviamente, por saber agir, enviando diretamente aos políticos em questão sua indignação e críticas pelos atos cometidos. O poder da internet nos propicia contato direto e imediato com qualquer pessoa, inclusive com os “intocáveis” do senado. Simples e-mails se tornam documentos de uma revolta.

Felizmente, já não se podem modificar pontos positivos na política econômico- financeira, que vêm ocorrendo há quase 15 anos com bons resultados. Apesar de toda essa situação vergonhosa do senado, nossa democracia continua seu caminho, o que é uma grande vitória.

A não candidatura à reeleição do presidente Lula está clara e assim não nos tornaremos um país democraticamente instável, como alguns outros da América do Sul.

A renovação do poder se faz necessária para que se faça o tão desejado“dever de casa”: implantar as reformas política, tributária e trabalhista. O governo deve fixar-se diretamente em seus principais objetivos: educação e saúde. Sem essas bases nada mais faz sentido.




Newton Mendonça
Presidente da CIPA