
Felizmente, o mundo não acabou - embora tenha
sofrido uma grande transformação em sua estrutura.
Paradoxalmente, os países emergentes se equilibraram
e mostraram aos desenvolvidos algumas posições de
cautela que não foram observadas por estes.
No Brasil, já existem claros sinais de que a recessão
não se instalou, e apesar de nossas exportações terem
diminuído muito e da desvalorização do dólar, nosso
mercado interno, com medidas de desoneração de impostos,
reagiu bem. a indústria automobilística é uma
prova disso e volta a contratar depois da onda de demissões,
o que é um forte sinal do término da crise.
Certamente teremos um crescimento muito pequeno, mas também uma
inflação controlada e dentro dos níveis estabelecidos pelo Banco central. Os
países desenvolvidos já aceitam ouvir e negociar concessões, atitude antes impossível
em função do protecionismo que não deixava que os menos desenvolvidos
tivessem qualquer chance. A nova gestão do presidente americano é
claramente no sentido de negociar, e não de colocar mais o país na posição de
imperialista habitual.
Aguardamos melhores dias para 2010 em todo o mundo, naturalmente com
restrições causadas pela grande crise. em nosso país o que nos preocupa agora é
o momento político. hoje estamos assistindo a cenas vergonhosas por parte do
senado e, principalmente, do presidente Lula, que a qualquer custo - ético ou
moral - visa à eleição de seu sucessor.
A famosa tropa de choque que representa o governo se mostra sem
nenhum escrúpulo e nenhuma disposição para apurar os fatos gravíssimos
que têm ocorrido.
O presidente Lula, com 80% de popularidade, despreza os partidos, inclusive
o seu, e segue fazendo aliança com políticos contra os quais, em outras
ocasiões, com extrema revolta, fazia acusações gravíssimas, chegando
ao ponto de classificá-los como ladrões. Hoje se une a eles para, a qualquer
custo, alcançar a sucessão.
A grande esperança está na força da mídia e da população informada. A
mídia, por conta da divulgação dos fatos, e a população informada, obviamente,
por saber agir, enviando diretamente aos políticos em questão sua
indignação e críticas pelos atos cometidos. O poder da internet nos propicia
contato direto e imediato com qualquer pessoa, inclusive com os “intocáveis” do senado. Simples e-mails se tornam documentos de uma revolta.
Felizmente, já não se podem modificar pontos positivos na política econômico-
financeira, que vêm ocorrendo há quase 15 anos com bons resultados.
Apesar de toda essa situação vergonhosa do senado, nossa democracia continua
seu caminho, o que é uma grande vitória.
A não candidatura à reeleição do presidente Lula está clara e assim não
nos tornaremos um país democraticamente instável, como alguns outros da
América do Sul.
A renovação do poder se faz necessária para que se faça o tão desejado“dever de casa”: implantar as reformas política, tributária e trabalhista. O
governo deve fixar-se diretamente em seus principais objetivos: educação e
saúde. Sem essas bases nada mais faz sentido.