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Assim como Papai noel, réveillon e carnaval,
os temporais são presença certa no
verão carioca. Que tal fazer uma checagem
nos itens de seu prédio sujeitos a serem afetados
pelas chuvas e trovoadas? Como preveniré sempre melhor – e mais barato – que
remediar, nada como verificar se está tudo
em ordem com para-raios, poços coletores e
bombas submersíveis de seu condomínio.
As chamadas chuvas de verão quase
sempre ocorrem no fim de tarde, depois de
um dia de muito calor. São de rápida duração e grande intensidade, atingindo altos
níveis pluviométricos (acima de 7,5mm/
hora) em poucos minutos, e costumam ser
acompanhadas por relâmpagos e trovões.
Os sistemas de drenagem da cidade sofrem
para dar conta do recado – e muitas vezes
não dão. A consequência é que o caos nas
ruas pode chegar aos prédios, principalmente
os que contam com garagem subterrânea.
E tome carro boiando, estrago em
móveis de portaria e elevadores sem poder
descer. Para completar, se o para-raio não
estiver “nos trinques”, há o risco de o prédio
ser atingido por uma descarga elétrica,
colocando moradores em risco.
Situado numa rua transversal ao Rio
Maracanã, o condomínio Leandro, na Tijuca,
costumava ser alvo da fúria das águas
em dia de vendaval. Garagem e portaria,
ambos no pavimento térreo, ficavam inundados,
a ponto de qualquer chuva mais
forte ser motivo para síndico e porteiro
transferirem a mobília da portaria para a
escada, a fim de evitar estragos. Pelo mesmo motivo, o elevador fora programado
para não ficar parado no andar térreo – a
cada viagem concluída, seguia diretamente
pra o G2, de modo a não correr o risco
de uma possível inundação atingi-lo, causando
curto-circuito nos sistemas do equipamento.
Porém o síndico Arthur Martins
Fraga Filho há mais de um ano suspendeu
a vigília. “Um canal sob a rua foi desobstruído
pela prefeitura. Não entra mais água
no prédio em dias de temporal, mas o Rio
Maracanã ainda extravasa e a rua enche
com água contaminada. continua sendo
um problema de saúde pública para quem
mora aqui”, comenta Fraga.
A síndica Leimar Oliveira de Azevedo,
do condomínio Orizzonti di Barra, acorda
sobressaltada a qualquer sinal de chuva na
madrugada. Mas lá o problema se encontra
no sistema de escoamento do andar térreo,
que foi mal dimensionado. Em caso de
temporal, a área do playground e do salão
de festas fica inundada, podendo o alagamento
atingir o elevador de serviço (o que,
por sinal, já ocorreu alguns anos atrás). “No
poço do elevador há uma bomba sapo. Minha
proposta aos condôminos é elevar em
15 centímetros o piso e corrigir os desníveis.
O objetivo é evitar que a água invada
o interior do prédio”, explica leimar, que
completa: “Quando chove forte temos que
contar com a bomba e com a boa vontade
dos funcionários para impedir a entrada de água. Acredito que parte do problema venha
também do fato de a Barra não contar
com rede de esgoto.”
Manutenção preventiva é o caminho
para os síndicos que não querem sofrer
a cada temporal. no caso das bombas, é
importante saber que cada modelo tem
uma função, avisa luiz alberto carvalho,
sócio-diretor da hidroluz, empresa com
46 anos de mercado. “Existem vários tipos
de bomba submersíveis, como as de escoamento
de esgoto, de águas pluviais e as
de águas servidas (usadas). A diferença é
pequena. Por isso recomendo a assessoria
de um técnico de empresa especializadaem bombas para avaliar a capacidade das
bombas atuais, fazer uma projeção do volume
de água que pode entrar numa chuva
e, dessa forma, ampliar, se necessário, o dimensionamento
das bombas. O especialista é fundamental para que o prédio tenha
o sistema correto, nem maior nem menor
que o necessário”, alerta.
Para garagens subterrâneas, Carvalho
sugere bombas de alta vazão (até 60 mil
litros por hora) e avisa que as chamadas
bombas sapo têm baixa capacidade (cerca
de dois mil litros por hora) e não são
recomendadas em caso de inundação. “E
é fundamental ter duas bombas, sendo o
mais recomendável que o acionamento da
segunda seja automático, em caso de grande
demanda. essa providência aumenta a
capacidade de escoamento e a segurança,
caso uma delas falhe”, assinala o sócio da
hidroluz. Os preços das bombas submersíveis,
sem os custos de instalação, estão entre
R$ 840 e R$ 2,4 mil. A empresa faz uma
avaliação grátis e sem compromisso das necessidades
do condomínio, além de também
fornecer o serviço de manutenção preventiva
em todo o sistema de bombas do prédio. “O custo acompanha a complexidade do sistema.
Fica em cerca de R$ 20 por mês, cada
bomba, mas quanto mais bombas, menor o
preço unitário. Por isso é importante a avaliação
caso a caso”, conclui.
Muitas vezes o problema pode não estar
na bomba em si, mas nas caixas coletoras
nas quais elas estão instaladas. acúmulo
de lixo, terra e areia fazem as bombas
trabalharem com dificuldade e, caso chova
intensamente, elas param e não conseguem
jogar a água para fora. Quem avisa é
Joel costa, da desentupidora J.costa. Outro
ponto que merece atenção, segundo ele,
são as calhas e as colunas que escoam a água da chuva. “É preciso checar se a passagem
está livre, pois no caso de obstrução
pode haver infiltração, principalmente nos
apartamentos dos últimos andares”, explica
costa, cuja empresa oferece um equipamento
com sistema elétrico rotativo que
limpa as colunas de águas pluviais.
A recomendação é que as caixas coletoras
sejam limpas a cada seis meses,
principalmente nos edifícios com garagens
subterrâneas. a J.costa atende tanto casos
de emergência (24 horas) quanto fornece
contrato de manutenção que engloba toda
a área comum do prédio. o orçamento é
gratuito e sem compromisso.
Mas nem só de água vivem as chuvas
de verão. as descargas elétricas oriundas
dos raios são um perigo para o qual
muitos síndicos só atentam depois do fato
consumado. Afinal, o para-raio existe e
pressupõe-se que ele funcionará quando
necessário. Saiba: esse equipamento também
precisa de manutenção para trabalhar
de forma eficiente. O alerta é de Paulo Sérgio
Júnior, gerente de obras da Ideal Fire: “Raio não escolhe lugar para cair, por isso é preciso estar protegido.” Todo prédio
com mais de três pavimentos precisa ter para-raio, que deve ser instalado no ponto
mais alto da construção (prédios com
mais de 20 metros de altura devem contar,
também, com proteção lateral, a chamada
gaiola de Faraday).
Não basta, no entanto, instalar o equipamento. É preciso checar anualmente se
os componentes do para-raios estão funcionando
a contento. A descarga de um
raio pode danificar fachadas e queimar
aparelhos elétricos (embora, nesses casos,
geralmente a origem seja na linha de
transmissão). a inspeção contempla a verificação
da gaiola de Faraday, a medição
ôhmica (para aferir a resistência de aterramento)
e outros itens. Em seguida, deve
haver emissão de laudo técnico assinado
por engenheiro elétrico. “a manutenção
preventiva checa se há componentes da
base enferrujados ou deteriorados, troca
peças, verifica se a fotocélula está acionando
e o estado do sinalizador noturno”,
explica Júnior, cuja empresa cobra de R$
800 a R$ 1.200, por ano, para o serviço de
manutenção de para-raios.
Prefeitura afirma estar se precavendo contra enchentes
Ruas que viram rios, carros boiando,
pessoas andando com água pela
cintura ou sobre barcos improvisados,
em meio aos temporais de verão: será
que veremos novamente essas cenas,
pessoalmente ou no noticiário? A Secretaria
Municipal de Obras, por meio
de sua assessoria, afirma que seus órgãos
que atuam na área de conservação
– Rio-águas e Coordenadoria Geral
de Conservação (CGC) – estão agindo
em total sinergia para evitar as clássicas
cenas de caos durante os temporais
da estação mais quente do ano.
Se ocorrer, não será por falta de
investimento: em maio último, a prefeitura
liberou uma verba suplementar
ao orçamento, no valor de R$ 20
milhões, a serem aplicados na recuperação
e manutenção dos sistemas de
drenagem da cidade. “Pode-se destacar
as obras de macrodrenagem da
Bacia de Jacarepaguá, com recursos
sendo captados do governo federal e
contrapartida da prefeitura”, relata a
secretaria, que respondeu às perguntas de Condomínio etc. por e-mail.
A secretaria informa, ainda, que “as equipes de serviço da coordenadoria
de conservação vistoriam diariamente
os logradouros da cidade
para identificar os problemas e providenciar
a melhoria.”
Os pontos críticos apontados são
os de sempre: a região da bacia do
mangue, próximo à Praça da Bandeira
(que sofre com a influência das marés,
por estar em cota muito baixa), a Lagoa
(perto da hípica), a própria Praça
da Bandeira e o bairro do Maracanã,
além da Avenida Brasil, onde a SMO
afirma agir diariamente na manutenção
do sistema de drenagem.
No entanto, a prefeitura não ousa
prometer o fim das enchentes. “Acreditamos
que no próximo período das
chuvas as equipes da CGC, distribuídas
em 25 bairros da cidade, estarão
mais bem capacitadas e reforçadas
para o atendimento da cidade (para)
minimizar os problemas ocasionados
pelas chuvas.” Quem viver, verão.
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A Síndica Leimar Azevedo, do Condomínio Orizzonti di Barra, acorda sobressaltada a qualquer sinal de chuva na madrugada, mas lá o problema se encontra no sistema de escoamento do andar térreo, que foi mal dimensionado. Em caso de temporal, a área do playground e do salão de festas fica inundada,, podendo o alagamento atingir o elevador de serviços (o que, por sinal, já ocorreu alguns anos atrás).


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