
Nos dias atuais, os grandes centros de pesquisa em alimentos e nutrição humana vêm estudando a fome oculta. O homem tem evoluído tecnologicamente e obtido melhor qualidade de vida com a chamada globalização. Mas como fica a qualidade nutricional?
A deficiência de nutrientes fornecidos pela alimentação moderna, associada ao constante estresse emocional a que estamos submetidos no dia a dia, leva o homem a um tipo de desnutrição na qual as pessoas parecem saudáveis mas, na verdade, suas células encontram-se fisiologicamente famintas.
Isso ocorre porque nossas células possuem proteínas em suas membranas denominadas receptores. Estas servem para receber informações hormonais e nutrientes. Tais nutrientes são adquiridos por meio da alimentação diária (vitaminas, minerais, aminoácidos, gorduras, carboidratos) e serão utilizados nos mais diversos metabolismos (ósseo, muscular, cerebral, glandular etc.).
A utilização desenfreada, e muitas vezes sem vigilância, de fertilizantes químicos, agrotóxicos, hormônios e antibióticos, entre outros produtos, como os xenobióticos, são responsáveis pela melhora na escala de produção de alimentos. Entretanto, essa utilização sem limites resulta também em piora na qualidade do alimento com relação à oferta de nutrientes essenciais para nossas células, o que acaba gerando a fome oculta, na qual o homem não sente, mas suas células, sim.
Todo alimento natural, ou seja, sem adição de química, possui diferentes nutrientes. Entre eles os nutracêuticos, substâncias que nutrem e funcionam como medicamentos específicos no organismo. Podemos citar como exemplo o tomate e a goiaba, que são ricos em licopeno, um carotenoide que vem demonstrando, em pesquisas na área de farmacoclínica, cada vez mais suas atividades antioxidantes e antitumorais em células da mama, da próstata e do cólon.
Quem sabe, no futuro, encontraremos a oferta de nutracêuticos, direcionados para prevenção e tratamento de doenças, nas prateleiras dos supermercados? Estamos aguardando!
Encontramos nos alimentos orgânicos (cultivados sem insumos químicos) todos os nutrientes que aquele ecossistema oferece. Nesse tipo de plantio estão proibidos agrotóxicos, adubos químicos e sementes transgênicas. Os animais que são criados nesses ecossistemsas não utilizam antibióticos, hormônios, carrapaticidas e muitas vezes são tratados com homeopatia e fitoterapia!
Os alimentos processados industrialmente são obrigados, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, a ter um rótulo no qual conste que aquele produto contém aditivos e conservantes ou que foi “melhorado” com o acréscimo de minerais e vitaminas.
O mundo de hoje, globalizado, lucra mais com as doenças crônicas e degenerativas do que com a prevenção - e isso é lamentável! Temos que mudar essa ideia. Um exemplo disso é a dieta dos americanos: 30% de sua alimentação diária se baseia em soja e milho (que estão contidos em todos os rótulos, em quantidades variadas, dependendo do alimento), que são matérias-primas para indústria, são altamente calóricos e possuem pouquíssima variedade de nutrientes, resultando em uma população obesa, com déficit de aprendizado e baixa resistência imunológica.
O chamado "alimento" dos dias atuais encontra-se pronto ou semipronto, contém sal e açúcar para conservação e para melhorar o paladar, gordura hidrogenada (gordura trans, que é uma forma artificial de gordura não reconhecida por nossas células), são de fácil preparo, pobre em nutrientes e geram obesidade e distúrbios gastrointestinais, além de processos alérgicos, dependendo da sensibilidade de cada um.
Observem: é raro o crescimento de fungos (bolor) nos alimentos prontos ou semiprontos, e sabem por quê? Porque esses seres vivos são inteligentes , sabem que não se trata de alimento para nutrir seu crescimento no meio ambiente!
Para desfrutarmos uma vida mais saudável, é primordial que busquemos a qualidade nutricional dos alimentos que ingerimos no dia a dia.
Atentem para as cores dos alimentos. Elas têm um sentido de ser:
. roxa - fonte de flavonoides e proantocianidina que promovem a saúde de pele, sistema nervoso e artérias e diminuem o risco de câncer.
. vermelha - fonte de carotenoides (precursor de vitamina A) que promovem a saúde da pele, dos olhos, dos ossos, do cérebro e do aparelho genito-urinário.
. branca - fonte de vitaminas do complexo B que promovem a saúde do sistema nervoso e gera energia para as células.
. verde - fonte de cálcio, magnésio, vitamina C, fósforo, ferro e indol que promovem a saúde de ossos, dentes, pele, cabelo e unhas, estimulam a função cerebral, o crescimento e a produção de glóbulos vermelhos do sangue e possuem ação antitumoral comprovada cientificamente.
. laranja - fonte de vitamina C, flavonoides quercetina/hesperidina e rutina e carotenoides precursores da vitamina A que atuam como antioxidante potente, estimulam a imunidade das células e promovem a saúde de pele, olhos e sistema genito-urinário.
Bom apetite!
Fátima Cardoso é clínica geral, nutróloga e homeopata. Faz parte da câmara técnica de homeopatia do CREMERJ, é membro do grupo de estudos em Fitoterapia e de Medicina Ortomolecular do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro e professora da Sociedade de Medicina Ortomolecular do Estado do Rio de Janeiro.