
Quem disse que a amizade e a solidariedade entre vizinhos são coisas do passado? Eu, com o editora desta revista e moradora do condomínio em questão, posso atestar que a vida é bela e que existe, sim, solidariedade e muita amizade entre vizinhos.
Aqui no 66 coisas fantásticas acontecem. Morar por aqui é realmente muito bom. Moradores novos são bem acolhidos e tornam-se verdadeiros cúmplices. Nas mais diversas situações.
Agora nesse momento, estamos muito tristes. Vizinhos relativamente novos vão voltar para sua terra natal. Alba, Michel, e seus filhos, Lucas e Maria Clara, vão deixar tantas saudades que motivaram uma despedida calorosa e uma carta emocionada. Não sobrou ninguém que não ficasse com os olhos marejados de lágrimas.
Transcrevo aqui a carta entregue na festinha de despedida da família, que é mineira e acredita que Belo Horizonte é logo ali. A redatora e porta-voz foi Patrícia Junger, psicalista de plantão e amiga para todas as horas. Que nosso exemplo sirva para estreitar as relações e aquecer corações em muitos condomínios.
“Somos subversivos mesmo. Moramos num prédio em que coisas bizarras acontecem: vizinhos fazem escambo (trocam-se batata por cenoura, Toddynho por creme de leite e por aí vai); temos o desplante de acordar nosso vizinho às três da manhã porque nosso filho está com tosse e precisa de soro para fazer nebulização; nos ajudamos enrolando balas nas festas das crianças ( com o antigamente); celebramos datas especiais em conjunto, e não apenas com nossas famílias; sofremos quando um novo amigo se muda e – pasmem – até a doença do pai de uma amiga que às vezes nem conhecemos direito nos com ove. Coisas do Solar.
Quem vem para cá se muda para um novo apartamento e ganha de brinde a subversão do isolamento moderno e o exercício da solidariedade.
Um prédio cheio de ‘formigas trabalhadoras' e ‘cigarras encantadoras' que ao mixed de uma boa dose de piña colada colorem a vida de todos com risadas espalhafatosas. Mas se acalmem. Não faltam barracos, nós também temos essa modalidade antiga de expressão. Entretanto, eles só servem para apimentar e consolidar essa coisa boa e quentinha que o mundo moderno quer eliminar: os laços entre as pessoas.
Posso atestar que vale a pena viver dessa forma, e quem dessa convivência desfruta nos leva para longe no coração e deixa em nós um gosto bom de encontro.
Ao passar pela portaria sempre veremos a Clarinha com seu sorriso delicioso e o Lucas vai sempre nos surpreender com seu vocabulário, que muitas vezes nos deixa de calças curtas diante de suas perguntas e brilhantes conclusões.
Boa viagem, vão com Deus e sejam sempre subversivos.
A turma do Solar 66.”