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Se você sempre quis embelezar a área comum do prédio mas esbarrava na falta de dinheiro, atenção: o custo de um jardim pode não ser tão elevado quando parece. Com cerca de R$ 1,3 mil é possível organizar um belo espaço verde com profissional qualificado. Se a intenção é algo mais singelo, R$ 800 são suficientes. Para não errar a mão, contrate um paisagista, que dará orientações sobre as espécies de plantas e flores mais adequadas, respeitando-se as condições climáticas do ambiente. Nesta matéria você vai ver que é possível levar um pouco da natureza para dentro do condomínio sem grandes gastos.
A paisagista Nanci Santos, da Raphia Jardins, dá uma boa notícia: não existe um espaço mínimo para se montar um belo jardim. Segundo afirma, em qualquer cantinho é possível colocar plantas ou mesmo vasos. Importante observar o clima e a profundidade da jardineira. O volume das espécies não pode obstruir locais de passagens. Além de atrapalhar a circulação, uma planta muito grande em local apertado pode ter o seu desenvolvimento interrompido.
Já Lúcia Guimarães, que trabalha com paisagismo, acredita que se deve considerar um espaço de pelo menos 4 metros quadrados . Para ela, o pacote contendo tratamento do solo, adubação, mão-de-obra e vegetação de médio porte custa, em média, R$ 200 o metro quadrado.
Se o espaço for ensolarado, as plantas mais adequadas são camarão amarelo, sanquésia, tumbérgias, alamandas, jasmins, sálvia e crossandra. No outro time, lírios da paz, lírio do amazonas, begônias, antúrios, café de salão e bromélias se adaptam muito bem em ambientes sombreados. O custo médio para montar um jardim depende de avaliação de cada cliente. Mas para a implantação de pequenos e médios, as propostas geralmente ficam entre R$ 1,3 mil e R$ 4,5 mil.
É fundamental que a vegetação tenha boa procedência, seja bem enraizada e alimentada. As plantas submetidas à intensa adubação química para crescerem e florescerem com rapidez são frágeis e não se mantêm vivas quando transplantadas. “Além da vegetação, podem-se utilizar pedras, troncos, argila expandida e outros elementos decorativos como cerâmicas e lanternas. Tudo vai depender do estilo escolhido”, sugere Lúcia.
Organizando o espaço
Em grandes residências ou coberturas, os clientes preferem ideias paisagísticas requintadas e não abrem mão da inclusão de espécies com valor ornamental nobre. Grandes e médios jardins estão variando de R$ 7 mil a R$ 30 mil, de acordo com a paisagista da Raphia. Já o custo de manutenção depende de quem presta o serviço: se empresa ou profissional autônomo. Por isso, avalie o custo de cada um e faça sua escolha.
A extensão da área é um detalhe que precisa ser observado para se definir a quantidade de visitas do profissional: se mensal, quinzenal, semanal ou diária. Graus de dificuldades para desempenhar as funções, tipos de espécies e quantidade de plantas também são quesitos a serem considerados. No mercado se observam valores de R$ 120 (pequenas áreas) a R$ 300 (grandes áreas). “Em muitos casos esses valores incluem serviços de assistência paisagística e do jardineiro que executa as atividades de poda, adubação, limpeza e extermínio de pragas”, explica a profissional, esclarecendo que a assistência visa a corrigir falhar ou propor eventuais melhorias, com os custos de materiais e mão-de-obra à parte.
– De um modo geral, as empresas não dão assistência paisagística, elas apenas enviam seus jardineiros aos locais para executarem os serviços básicos da manutenção – alerta a paisagista. Os parâmetros de cobrança variam: há, por exemplo, firmas que se baseiam no salário mínimo ou no metro quadrado para fazer os reajustes. Quanto à opção de buscar apenas os serviços de um jardineiro, normalmente as diárias desse profissional ficam entre R$ 60 e R$ 100.
Síndica do edifício Bonnard, em Ipanema, Ana Beatriz Peres e Campos conta com uma equipe composta por três profissionais especializados, que fazem a manutenção do jardim (adubação, limpeza, poda e rega) em frente ao prédio semanalmente. Uma paisagista supervisiona o serviço uma vez por mêsl ao custo de R$ 480. Bromélias, filodendros e outros arbustos fazem a alegria do local, onde uma cuidadosa iluminação deixa os vegetais ainda mais belos.
– Todo mundo gosta, conversa sobre as plantas, faz questão de mostrar para os visitantes. Temos orgulho da nossa área verde – alegra-se a síndica. Ela conta que, desde que assumiu o cargo há três anos, já fez algumas intervenções para deixar o jardim mais agradável. E embora não tenha grade, o espaço não é alvo de vandalismo. “O prédio é recuado, as pessoas não depredam. Os moradores estão receosos com a ideia de colocarmos grade, para o jardim não precisar ser alterado”, revela.
Já na rua Barão de Itambi, em Botafogo, quem bota a mão na massa no edifício Christian Andersen é a própria síndica, Vera Carmen Rezende, responsável pelo jardim há nove anos. Apesar de não ter formação em paisagismo, ela revela gosto pela função. “Meu pai tinha fazenda e eu desenhava os jardins. Conheço muito sobre plantas e gosto de organizar essas áreas”, conta Vera, que coordena os porteiros para fazer a rega e o faxineiro do prédio para a limpeza dos canteiros.
Exceto nos períodos de chuva, os jardins, que ficam na grande área em frente ao edifício, são regados diariamente. Espécies como ixora, jasmins, pingos de ouro e orquídeas são as estrelas. “Temos vários banquinhos onde os idosos podem sentar para apreciar a flora e conversar. Na sacada do salão de festas, que dá para a frente do prédio, colocamos lindas azaleias. Os moradores adoram, muitos até doam plantas”, diverte-se a síndica, que confessa ter um rico espaço verde também dentro do próprio apartamento.
Dicas básicas para montar o seu jardim
Para Nanci Santos, definir as espécies que se adaptem ao ambiente é o primeiro passo. Em seguida, desenhe a ideia e, por último, execute a implantação do projeto. Procure se informar também sobre os períodos de regas, este detalhe é muito importante saber. Na hora da compra, os hortos ou quiosques de plantas são ótimos caminhos para conhecer de perto as plantas. Pesquisar na internet também pode ajudar a não errar.
Embora essas decisões possam ser tomadas pelo próprio síndico, contratar um profissional é sempre o melhor caminho. Um paisagista pode orientar nas escolhas e definir um belo projeto.
Para conservar o jardim bonito na estação do frio, pouca água é a grande dica. O horário ideal para a irrigação é sempre pela manhã, nunca no final da tarde, devido às noites frias. Tudo depende das espécies escolhidas, mas, de uma maneira geral, a poda é feita no final do inverno e inicio da primavera, conforme explica Lúcia Guimarães.
Limpeza e adubação também são outros pontos dos quais não se deve descuidar. Em áreas onde há grande tráfego de automóveis ou em calçadas, o ideal é lançar mão de um arbusto como o oiti, que é resistente, absorve bem a poluição e refresca o ambiente. Outras espécies interessantes para calçadas são agaves, alpínias, cicas, fórmios e palmeiras.
Jardim sensorial
A arquiteta Teresa Cristina Menezes de Oliveira, do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA-RJ), dá uma ideia lúdica e barata: montar um jardim cheio de aromas. O projeto, segundo ela, pode ser adaptado para varandas e até mesmo para o interior das casas. Mais do que um espaço terapêutico, o jardim sensorial permite a inclusão social da pessoa com deficiência visual e tem caráter educativo.
Você pode comprar pequenos vasos ou organizar canteiros com itens perfumados como orégano, manjericão, alecrim, estévia, hortelã, melissa, confrei, carqueja, gengibre, cebolinha, orquídea etc. Esse formato, garante Teresa Cristina, deve possibilitar o livre acesso a todos que queiram tocar ou cuidar das espécies, que são fáceis de manter. Se você conseguir instalar uma pequena fonte – mesmo aquelas compradas em lojas populares, com preços de R$ 50 a R$ 150 – melhor ainda.
A arquiteta, que apresentou a sugestão durante a palestra “Condomínio harmônico: a importância da arquitetura e da decoração na construção de espaços atraentes”, na Feira Secovi Rio de Condomínios, em setembro de 2008, reforça que o jardim sensorial possui grande influência oriental, ou seja, tem como intenção despertar os quatro sentidos: o tato através das texturas das plantas, a audição com o barulho da fonte d'água, a visão através das cores exuberantes e, finalmente, o olfato com os aromas das plantas. No Jardim Botânico do Rio, os visitantes encontram um belo exemplar de jardim sensorial. Confira informações sobre ingressos e descontos no site www.jbrj.gov.br.
Jardim interno x jardim de inverno
A paisagista Nanci Santos esclarece que jardins de inverno são geralmente encontrados no interior de residências, apartamentos, shoppings, galerias de arte etc. “É raro ver esse tipo de jardim em áreas comuns de condomínios”, complementa a especialista. Nesses espaços, o mais comum é a incidência de jardins internos.
Jardins internos são quase sempre montados em ambientes sem incidência de luz natural ou obscuros, ao contrário dos jardins de inverno que, apesar de também estarem localizados em áreas internas, possuem arquitetura apropriada para que a luz natural incida.
– Alguns jardins de inverno são envidraçados com claraboias como em shopping centers. Outros, em residências ou coberturas, são cercados por vidraças, porém com abertura no teto. Há também os que são cercados por vidraças nas laterais.
Por ser mais complexa, a montagem de um jardim de inverno requer mão-de-obra especializada. Para os dois tipos, as melhores opções de plantas são os filodendros, marantas, samambaias, renda portuguesa, café de salão etc. Um ambiente com aspecto rústico, parecido com mata nativa, fica muito elegante. É só distribuir pelo chão algumas pedras de rio e nas paredes afixar placas com chifres de veado, ripsalis e avencas. |
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No Edifício Christian Andersen, a síndica Vera Carmem Rezende valoriza seus jardins com um belo paisagismo.


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