42 - JUL AGO SET 2009
 


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Reforma: a hora é agora


Animados pela redução do IPI, síndicos incrementam o condomínio e agradam moradores

Prorrogação do IPI pelo Governo Federal dá ainda mais ânimo para realizar reformas que valorizem o patrimônio comum

No dia 31 de março deste ano, o Governo Federal baixou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 30 itens da construção civil, entre eles cimento, tintas, grades de aço e revestimentos cerâmicos. A medida vale até o final desse ano, período durante o qual os preços desses produtos chegam a ficar 8,5% mais baratos. Para os síndicos, está sendo uma excelente oportunidade de fazer aquela reforma que estava sendo adiada por falta de recursos. Ainda que nem todos os lojistas estejam praticando os descontos, o poder de barganha dos consumidores aumentou, beneficiando condomínios de todo o país. Nesta matéria, você vai ver que, com ou sem redução de IPI, é possível arregaçar as mangas e deixar o prédio mais bonito. Mãos à obra!

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz, no primeiro mês de redução de IPI, as vendas aumentaram significativamente. “Mesmo com apenas 16 dias úteis no mês de abril as vendas dos produtos com redução do imposto cresceram 25%. Em maio o aumento foi de 10%”, disse. Entre todos os itens que tiveram redução de IPI (veja tabela no final da matéria), os mais consumidos pelos síndicos interessados em reformar foram cimento, argamassa, tinta e cerâmica.

Mesmo os que não se beneficiaram diretamente com a medida ganharam injeção de otimismo. É o caso de Marco Aurélio Ginsberg, que supervisionou uma grande reforma no prédio residencial Ilha Bela, em Ipanema, de fevereiro de 2008 a fevereiro de 2009. O edifício, administrado pela CIPA, ganhou fachada praticamente nova. “Recuperamos o mármore, que estava desgastado, e reforçamos a impermeabilização”, explica o engenheiro civil, que exerce a função de assessor da síndica Tereza Costa no dia a dia do prédio de 18 andares e 36 apartamentos.

Animado com o momento favorável, Ginsberg revela planos de futuras reformas na edificação, que já soma 35 anos de vida. Na lista de prioridades estão a troca das tubulações e melhorias na garagem e nos jardins. “Não cheguei a observar queda nos preços dos materiais, mas, pelo menos, ganhamos mais um argumento para negociação com a redução do imposto”, admite.

Vendas aquecidas

De abril a junho, os produtos desonerados tiveram aumento de 30% nas vendas. Por ser o último mês de ofertas, junho registrou uma corrida de consumidores às lojas. No geral, antes mesmo da redução do IPI, os itens mais consumidos pelos síndicos para reformas em condomínios, segundo o presidente da Anamaco, são materiais básicos, entre eles tijolo, cimento e argamassa, essenciais à maioria das obras.

Em seguida, vêm os produtos hidráulicos, elétricos e de acabamento. “Nos últimos dois anos houve um movimento de retomada de obras. As pessoas tinham em casa a TV de plasma, o computador de última geração, mas a parede estava feia, o banheiro, com infiltração e por aí vai”, diz Conz. Para ele, um imóvel é como um ser vivo: com o tempo aparece a necessidade de manutenção. “As pessoas não tinham condições de cuidar da casa, mas com o aumento da renda, a diminuição dos juros e a melhoria do acesso ao crédito essa situação foi se modificando.”

Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio (Sinduscon-Rio) apontam os quatro itens com maior queda de preço em maio, comparativamente a abril: porta interna semioca (- 6,14%), fio de cobre antichama (- 5,56%), janela de correr (- 2,35%) e aço (- 1,26%).

Gerente da Tigrão de Ramos, uma das maiores lojas de material de construção da Zona Norte, Mário Augusto Trilha Sym confirma que o estabelecimento baixou os preços de muitos itens em virtude da queda do IPI. Entre os campeões de vendas ele destaca bomba-d'água, cisterna, piso, azulejo, impermeabilizante, argamassa, caixa de gordura e material elétrico. “Não deixa de ser um incentivo, mas muitos ainda estão consumindo apenas o necessário. Nem todo mundo acredita que a crise é apenas uma marolinha, como diz Lula”, comenta Augusto.

O engenheiro civil Luiz Otávio Ribeiro, da empresa especializada em manutenção predial Ricel, afirma não ter sentido um aumento significativo na procura dos serviços por conta da isenção do imposto. “Pode até ser que mais adiante mude alguma coisa, mas a princípio as pessoas não têm essa percepção. Muitos têm material em estoque”, afirma ele, acrescentando que os serviços mais procurados continuam sendo pintura de fachada e impermeabilização.

O presidente da Anamaco concorda que o cenário econômico atual está turbulento, mas faz ponderações. “Se você ignora uma reforma que precisa ser feita agora, lá na frente pode pagar muito mais caro por isso. Se o caso é de reformas que podem esperar, sugiro que se priorizem as que envolvam os materiais mais em conta. Assim , quando você coloca os gastos na ponta do lápis percebe que a economia já ajuda a pagar os custos com a mão de obra”, observa.

Síndico de um edifício comercial de 18 andares no Centro do Rio, Carlos Vidal ainda não aproveitou o período de redução do IPI mas nem por isso deixou de colocar a mão na massa. Em 2006, incrementou a portaria com granito cinza e fez melhorias nos halls de todos os andares, gastando R$ 60 mil. No final de 2008 trocou os elevadores por modelos mais modernos e revitalizou a fachada com cerâmica e pintura texturizada. O preço da obra foi de R$ 300 mil. A última etapa é a reforma da fachada traseira, que deverá ser concluída em 90 dias. “Não aproveitei os descontos por causa do IPI mas nós tínhamos um fundo de reserva que permitiu cobrir tudo sem cota extra para os condôminos”, orgulha-se Vidal, que conseguiu baixar o valor do condomínio de R$ 480 para R$ 230.

Fachadas em obra

Uma das primeiras áreas do condomínio em que o síndico pensa na hora de planejar uma reforma é a fachada. Isso porque, além da manutenção, a transformação é visível e chama a atenção de todos, valorizando o patrimônio e fortalecendo aquele "orgulho" de ser morador. Segundo Stanley Barbosa, diretor da Stanley Engenharia – que atua há mais de duas décadas na área de restauração de fachadas no Rio de Janeiro –, com a redução do IPI percebeu-se um aumento na procura por esse tipo de intervenção.

“Mas não só pela redução do imposto. Nessa época, os prédios normalmente fazem reuniões de assembleia e escolhem novos síndicos que, em início de mandato, mostram mais disposição para encarar uma reforma. O que vem acontecendo também é uma maior conscientização desses profissionais em relação à manutenção preventiva das fachadas, principalmente com a responsabilidade civil e criminal do novo código em vigor”, reforça Stanley.

A redução do IPI, conforme afirma o empresário, refletiu nos preços das reformas: os valores caíram aproximadamente 15%. “Em função da maior quantidade de obras contratadas, ganhamos maior poder de negociação perante os fornecedores”, justifica. Embora compreenda que o momento é de segurar as despesas, Stanley recomenda atenção quando o assunto é fachada. “A maioria dos prédios está sem caixa, mas o mínimo que um síndico responsável tem que fazer é a manutenção, nem que seja com cota extra”, diz, acrescentando que o serviço deve ser realizado de três em três anos.

Atenção na hora da compra

Seguindo orientação do presidente da Anamaco, Cláudio Conz, ao iniciar uma obra é imprescindível escolher produtos de qualidade. Para auxiliar os consumidores, a Anamaco mantém um programa de divulgação de produtos qualificados para lojas de material de construção – chamado de Procert. Essa divulgação inclui os relatórios dos Programas Setoriais de Qualidade (PSQs) geridos no âmbito do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H).

No site do PBQP-H (www.cidades.gov.br/pbqp-h) você encontra uma lista dos produtos com o respectivo índice de conformidade. Se o preço estiver muito barato, desconfie. Cheque as informações de fabricação, acesse o site citado anteriormente e verifique se se trata de um produto de acordo com as conformidades. E não deixe de pesquisar o maior número de preços e condições de pagamento e entrega possível.

Vai uma reforma aí?

Um estudo da Anamaco, desenvolvido em parceria com a Latin Panel, uma experiente empresa de painéis de consumidores, revelou que dois terços das residências do país necessitam de algum tipo de reforma. A redução de IPI facilitou o acesso aos materiais, sobretudo à população de menor poder aquisitivo. Outra medida que deverá injetar mais ânimo no setor é o investimento de R$ 142,1 bilhões no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, até 2010, prevê acelerar obras até então estacionadas.

Hora da pechinha

De 1º de abril até o final de dezembro, fica reduzido o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 30 itens da construção civil. Nas lojas, os preços chegam a ficar 8,5% mais baratos. O período determinado pelo Governo Federal termina em dezembro, e se até lá não houver possibilidade de o condomínio arcar com uma reforma, não desista da pechincha. Continue pedindo desconto aos lojistas e faça aquela tão sonhada reforma de que o condomínio tanto necessita. Confira, na tabela a seguir, alguns valores de redução de IPI que estão vigorando até dezembro e inspire-se neles para colocar mãos à obra!

MATERIAL

REDUÇÃO DO IPI

Cimento

4% para 0%

Tinta e verniz

5% para 0%

Massa de vidraceiro

10% para 2%

Revestimento para alvenaria

5% para 0%

Argamassa e concreto

5% para 0%

Banheira, boxe para chuveiro e pia

5% para 0%

Assento e tampa de sanitários, de plástico

5% para 0%

Pia, lavatório, banheira e bidê

5% para 0%

Grade e rede de aço

5% para 0%

Dobradiça de qualquer tipo

5% para 0%

Disjuntor

15% para 10%

Chuveiro elétrico

5% para 0%

Cuidando bem das fachadas

Se a sala é o cartão de visitas do apartamento, a fachada é cartão de visitas do prédio. Para mantê-la em ordem, é preciso não só atenção do síndico, mas também de todos os moradores. Conforme orienta Stanley Barbosa, da Stanley Engenharia, é importante fazer a manutenção básica nos apartamentos, dando atenção a algumas ações, como só permitir que a fixação das telas de proteção seja feita com parafuso de latão ou de aço inoxidável; aplicar silicone, semestralmente, em volta dos parafusos dessas telas (entre o revestimento e os pontaletes das grades) e em volta das esquadrias.

Caso os chumbadores que fixam os guarda-corpos das varandas estejam deteriorados, é importante fazer a troca deles. E todo cuidado com as antenas de TV a cabo: a sua fixação com parafusos de ferro pode produzir ferrugem que, por sua vez, gera desagregações do concreto, do reboco, das pastilhas, do granito e dos demais revestimentos. Importante também é verificar semestralmente se há infiltrações nos pisos das varandas e dos terraços, além de vedar os espaços entre os aparelhos de ar-condicionado e suas respectivas caixas, a fim de evitar infiltrações.

Ao contratar uma firma para fazer a reforma da fachada, o síndico deve visitar, pelo menos, sete obras similares executadas pela empresa e analisar se o que está sendo solicitado realmente consta do orçamento. Ir à sede da prestadora do serviço e verificar os originais das certidões negativas, do alvará e da GRPS, para ter uma noção de quantos funcionários a empresa possui, também são atitudes que podem evitar dor de cabeça.

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Segundo Cláudio Conz, Presidente da Anamaco, no Primeiro mês de redução de IPI, as vendas aumentaram significativamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 


Síndico de um edifício comercial no Centro do Rio, Carlos Vidal ainda não aproveitou o período de redução do IPI mas nem por isso deixou de colocar a mão na massa.