
A resolução, que está em vigor desde 19 de setembro de 2008, estabelece regras claras para segurança em elevadores e é a primeira, no Brasil, a tratar de equipamentos antigos.
Regulamentada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a intenção da Norma 15.597 é que todos os elevadores – antigos e novos – tenham o mesmo nível de segurança para os usuários e técnicos de manutenção.
O Rio de Janeiro é a cidade mais verticalizada do Brasil – possui quase duas vezes mais elevadores por habitante que São Paulo. Também foi a primeira a utilizar o equipamento (o elevador mais antigo do Brasil está na cidade e completou cem anos de existência), quando era capital federal. Além de os equipamentos serem mais antigos , o desgaste causado pela proximidade do mar faz com que necessit e m de maior atenção na conservação e segurança.
O encontro no Hotel Pestana, em Copacabana, organizado pelo Sindicato das Empresas de Conservação, Manutenção e Instalação dos Elevadores do Rio de Janeiro (SECMIERJ), contou com a participação de mais de cem empresários de 70 empresas, incluindo as multinacionais Otis, Atlas Schindler e ThyssenKrupp.
A prefeitura do Rio de Janeiro esteve representada pelo diretor-presidente da Rio Luz, Sílvio Santos, pelo diretor do Dinsul, Jorge Luiz da Rocha Ferreira, pelo novo gerente da Gerência de Engenharia Mecânica (GEM), Marcelo Luiz Izidoro, e pelo chefe d a Divisão de Elevadores, Alberto Francisco Alves da Silva , engenheiro.
“Poderemos ter alguma dificuldade no cumprimento dessa norma por não haver punição para quem não respeitá-la, a menos que ocorra um acidente pela falta dessa atualização dos itens de segurança. Nesse caso, tanto a empresa quanto o síndico podem ser responsabilizados”, explica Antônio Moura, presidente do sindicato.
Por não ser uma norma obrigatória e, em caso de acidente, a empresa técnica responsável responder legalmente junto com o condomínio, é obrigação das empresas apresentarem um plano de modernização para seus clientes. Caso o condomínio não possa arcar com os custos imediatamente, as empresas precisam colocar a perspectiva de modernização no plano.
No caso do síndico que estiver resistente em efetuar as adequações necessárias, colocando em risco a segurança dos usuários, os responsáveis da empresa de manutenção deverão relatar essa informação no Relatório de Inspeção Anual (RIA), que informa aos órgãos competentes as condições dos equipamentos avaliados e das empresas de manutenção.
Jorge Luiz da Rocha Ferreira explicou que não tem como a prefeitura fiscalizar e exigir a troca de todos os elevadores, mas que terá atenção especial com todos os equipamentos que oferecerem riscos a seus usuários e técnicos. “A prefeitura do Rio vai incentivar a modernização nos casos de falta de segurança”, afirmou Jorge Luiz.
A Norma 15.597 segue os moldes das normas europeias. Por exemplo, preconiza a troca das portas pantográficas, que oferecem risco às crianças, o nivelamento entre a cabina e o pavimento, que acidenta, principalmente, idosos, e algumas transformações de segurança para os técnicos que fazem a manutenção. Na França, já é obrigatória a modernização dos equipamentos em todos os elevadores.
Algumas adequações recomendadas pela norma:
Acesso ao poço através de escadas;
Nivelamento preciso entre cabina e pavimento para evitar tropeços e acidentes;
Verificar se as portas com fechamento de trincos estão adequadas à norma;
Existência do guarda-corpo;
Eliminação de portas pantográficas;
Substituição de vidros (inadequados nas portas);
Proteção adequada contra escape de cabos de aço;
Iluminação de emergência dentro da cabina;
Intercomunicador entre a casa de máquinas, a cabina e a portaria;
Não existir janelas vazadas (grades) nas portas de pavimento e da cabina;
Presença de entrada de ar na cabina;
Interruptores de emergência no topo da cabina e fundo do poço;
Iluminação adequada dentro da cabina e no hall de acesso aos elevadores;
Travamento inseguro ou inexistente da saída de emergência no teto da cabina.