
A libertação total da arte. Já não estamos mais presos a cenas históricas, religiosas, paisagens reproduzidas quase que fotograficamente. Podemos dizer que chegamos ao cerne da arte, à beleza pela beleza, ao interior mostrado em suma e suprema valorização da emoção; uma emoção que atende a cada um de maneira diferente, mal atinge a todos, ou inebriando ou incomodando.
Não podemos citar um ícone desse período; as correntes são as mais diversas, desde figurativas até abstratas. No Abstracionismo, vemos formas e cores que nos tocam pela beleza; não existem motivos – o motivo é a própria beleza, a criação ora de símbolos, ora de formas, em direção ao imaginário. Você vê o que vê, sente o que sente. Na figura não existe a reprodução, o motivo, mas a emoção contundente ou delicada, tudo vindo da alma. O estudo da psicologia se apoiou nas torturadas telas de Van Gogh, e as cores do Abstracionismo mostram o interior do artista.
Em 1964, levei minha filha Paula para estudar com Ivan Serpa, mestre para crianças, no Museu de Arte Moderna do Rio. Ele me chamou e disse: “Mario, preste atenção em sua filha, alguma coisa não vai bem; ela só usa o preto e cores sempre escuras.” Paula deu trabalho até sua alma despontar leve e clara, sofreu e nos fez sofrer; porém, hoje é uma pessoa realizada, mãe de família (das melhores), esposa, artista e competente restauradora; saiu do preto, das trevas, do abismo da alma.
Vejam a importância da arte na vida e nas emoções de uma pessoa. São tantos os nomes que a compõem que seria quase impossível citá-los. Contudo, vamos aos principais: Van Gogh, em sua loucura, ajudou a ciência a combatê-la em outros; Picasso mostrou que tudo pode se transformar em arte e que as formas são para serem criadas, retorcidas e modificadas; Cézanne transformou a paisagem geometrizando-a e abrindo caminho para o Cubismo, uma escola inédita que leva o olhar a formas novas que nunca existiram (Picasso e Braque foram seus criadores); Gaugin criou o símbolo na pintura, morreu abandonado, no Taiti, até ser compreendido e respeitado anos depois.
No Abstracionismo, vamos falar de Mondrian, que com seu famoso boogie-woogie transportou a música para a pintura; o americano Mark Rothko foi ao extrato da cor, ao âmago, desnudou a cor em sua pureza; Kooning mostrou a violência e o movimento livre sobre a tela. Enfim, a liberdade – isso é a Arte Moderna, a liberdade total da criação.
Assim terminamos este pequeno curso. Espero ter ajudado um pouco a conduzir as pessoas para o meu, o nosso mundo: o mundo da arte, o mundo da vida plena.