42 - JUL AGO SET 2009
 


» ARTE

Arte Moderna
Mário Mendonça


A libertação total da arte. Já não estamos mais presos a cenas históricas, religiosas, paisagens reproduzidas quase que fotograficamente. Podemos dizer que chegamos ao cerne da arte, à beleza pela beleza, ao interior mostrado em suma e suprema valorização da emoção; uma emoção que atende a cada um de maneira diferente, mal atinge a todos, ou inebriando ou incomodando.

Não podemos citar um ícone desse período; as correntes são as mais diversas, desde figurativas até abstratas. No Abstracionismo, vemos formas e cores que nos tocam pela beleza; não existem motivos – o motivo é a própria beleza, a criação ora de símbolos, ora de formas, em direção ao imaginário. Você vê o que vê, sente o que sente. Na figura não existe a reprodução, o motivo, mas a emoção contundente ou delicada, tudo vindo da alma. O estudo da psicologia se apoiou nas torturadas telas de Van Gogh, e as cores do Abstracionismo mostram o interior do artista.

Em 1964, levei minha filha Paula para estudar com Ivan Serpa, mestre para crianças, no Museu de Arte Moderna do Rio. Ele me chamou e disse: “Mario, preste atenção em sua filha, alguma coisa não vai bem; ela só usa o preto e cores sempre escuras.” Paula deu trabalho até sua alma despontar leve e clara, sofreu e nos fez sofrer; porém, hoje é uma pessoa realizada, mãe de família (das melhores), esposa, artista e competente restauradora; saiu do preto, das trevas, do abismo da alma.

Vejam a importância da arte na vida e nas emoções de uma pessoa. São tantos os nomes que a compõem que seria quase impossível citá-los. Contudo, vamos aos principais: Van Gogh, em sua loucura, ajudou a ciência a combatê-la em outros; Picasso mostrou que tudo pode se transformar em arte e que as formas são para serem criadas, retorcidas e modificadas; Cézanne transformou a paisagem geometrizando-a e abrindo caminho para o Cubismo, uma escola inédita que leva o olhar a formas novas que nunca existiram (Picasso e Braque foram seus criadores); Gaugin criou o símbolo na pintura, morreu abandonado, no Taiti, até ser compreendido e respeitado anos depois.

No Abstracionismo, vamos falar de Mondrian, que com seu famoso boogie-woogie transportou a música para a pintura; o americano Mark Rothko foi ao extrato da cor, ao âmago, desnudou a cor em sua pureza; Kooning mostrou a violência e o movimento livre sobre a tela. Enfim, a liberdade – isso é a Arte Moderna, a liberdade total da criação.

Assim terminamos este pequeno curso. Espero ter ajudado um pouco a conduzir as pessoas para o meu, o nosso mundo: o mundo da arte, o mundo da vida plena.



1. VINCENT VAN GOGH
Autorretrato com Orelha Atada, 1889
Galeria do Instituto Courtauld, Londres


2. PAUL GAUGUIN
De Onde Viemos?
Para Onde Vamos?, 1897
Museu de Belas Artes de Boston


3. PAUL CÉZANNE
Banhistas, 1898-1905
Museu de Arte da Filadélfia



4. PABLO PICASSO
Demoiselles d'Avignon, 1907
Museu de Arte Moderna de Nova York


5. PIET MONDRIAN
Boogie-Woogie da Vitória, 1943-44
Coleção Sr. e Sra. Burton Tremaine, Connecticut


6. MARK ROTHKO
Malva e Laranja, 1961
Galeria de Belas Artes de Marlborought, Londres