41 - ABR MAI JUN 2009
 


» SAÚDE

Alimentos transgênicos: o que são e o que representam para a saúde do homem
Dra. Fátima Cardoso


Os alimentos transgênicos são também chamados de alimentos alterados ou modificados geneticamente. A questão é saber exatamente o que eles são e o que representam para a saúde humana.

Desde antes de Cristo, o homem já utilizava a agricultura por hibridação, ou seja, o cruzamento entre plantas comestíveis da mesma espécie para manutenção da produção.

Nos dias atuais, com o advento da biotecnologia, a agricultura vem utilizando espécies distintas de plantas com informações genéticas diferentes para gerar uma nova espécie de planta comestível.

Atualmente, os cientistas conseguem transferir características genéticas importantes para a saúde humana existentes em bactérias, vírus e plantas destinadas à alimentação do homem para outras plantas também comestíveis, mas que não contêm essas informações em seu código genético. O resultado dessa transferência de informações é a geração de alimentos que carregam um código genético modificado.

Tais vegetais geneticamente modificados produzem as chamadas sementes transgênicas, que serão usadas para fins definidos, como plantações com maior resistência às pragas e também produtoras de fitoquímicos benéficos para a saúde humana, como os conhecidos licopeno e betacaroteno, além de maiores concentrações de vitaminas e minerais.

Com o advento dessa nova biotecnologia, a agricultura ganhou uma maior produtividade de grãos. No Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa em Agropecuária (Embrapa) vem utilizando a biotecnologia para pesquisas e testes em alimentos como soja, feijão, milho, canola, algodão, arroz, mamão, banana e batata. As pesquisas visam desenvolver maior resistência da lavoura a fungos, agrotóxicos, vírus e à maior produção de licopeno, betacaroteno, vitaminas e minerais.

Podemos citar como exemplo a soja. Esta recebeu um gene retirado de uma bactéria que a torna resistente aos agrotóxicos utilizados na lavoura. Iisso representa uma redução de 15% no custo de sua produção e pode refletir beneficamente no preço final ao consumidor.

Mas... e há algum impacto para a saúde humana?

Desde 1994, com a comercialização das sementes transgênicas, muito pouco se conhece sobre seus efeitos deletérios à saúde humana, uma vez que esse tipo de pesquisa de alta complexidade necessita de um longo tempo para a avaliação dos resultados.

Vamos filosofar a respeito? Se uma semente é modificada geneticamente para se tornar mais resistente a tudo e a todos e sabendo-se que essa semente carrega várias informações em seu código genético, não seria, então, possível que esse gene desencadeasse alguma reação no ser humano?

Vários questionamentos estão sendo discutidos e analisados pela comunidade científica mundial. Posso citar alguns que venho observando em minha clínica: o aumento, na última década, de casos clínicos de alergia, de doenças autoimunes, de resistência bacteriana aos antibióticos comumente utilizados, o efeito tóxico dos resíduos de agrotóxicos presentes nos alimentos e a contaminação dos alimentos de origem vegetal e animal com essas sementes modificadas.

Segundo o geneticista Rubens Nodari, o ideal para o meio ambiente, incluindo aí o homem, é a adoção da agroecologia, na qual por não utilizar agrotóxicos, não existe o risco da perda da biodiversidade em nosso planeta.Fica aqui a semente para reflexão.


Fátima Cardoso é clínica geral, nutróloga e homeopata. Faz parte da câmara técnica de homeopatia do CREMERJ, é membro do grupo de estudos em Fitoterapia e de Medicina Ortomolecular do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro e professora da Sociedade de Medicina Ortomolecular do Estado do Rio de Janeiro.