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A compositora, cantora, atriz e escritora Beatriz Martini Bedran é bamba na arte de cativar o público. Tanto em shows e peças de teatro quanto em palestras para adultos, sua simpatia e talento nos levam para o mundo mágico das histórias e lendas, dos animais, de canções e quintais. Bia Bedran está em constante formação - é graduada em Musicoterapia e Educação Artística, com habilitação em Música; mestranda em Ciência da Arte na Universidade Federal Fluminense e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Sagitariana, Bia nasceu no dia 26 de novembro de 1955, “numa casa linda, um casarão, de frente para o mar, em São Francisco, Niterói”. Ela nos dá uma boa dica na capa do disco “Bia Canta e Conta”: "Quando eu era pequena, gostava tanto de ouvir histórias que, de tanto ouvir, aprendi a gostar de contar. Histórias se aprendem ouvindo, contando, pensando, inventando, lendo, desenhando e prestando atenção no mundo ao redor. Brinque com os personagens dessas histórias e, a partir deles, invente outras..."
Integrante do Teatro Quintal, de 1973 até início dos anos 1980, Bia Bedran formou o Ggrupo Musical Bloco da Palhoça, que mesclava composições suas com uma profunda pesquisa de ritmos e gêneros musicais do folclore brasileiro. Pioneira, levou essa pesquisa de linguagem para a televisão, onde apresentou, de 1987 a 1993, o programa Canta-Conto, na TV Educativa do Rio de Janeiro, e o Baleia Verde, programa ecológico veiculado pela Rede Manchete e TVE. Em 1995, apresentou a série Lá Vem História, na TV Cultura de São Paulo. No Canta-Conto conheceu Pedro Menezes, pesquisador e conhecedor de vastíssimo repertório musical, e se tornaram parceiros. Quando seu Pedro completou 83 anos, no ano passado, Bia prestou-lhe homenagem oferecendo ao público da Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro, local frequentado pelo amigo, um espetáculo emocionante repleto de canções e histórias, muitas delas de autoria de Pedro, como A História de Tatê Calanquê Catacan Quixilá Calanquê, gravada por Bia em seu disco “Bia Canta e Conta”. Ela é a amiga que todo mundo quer ter.
Com inúmeros CDds gravados e livros publicados, foi vencedora de vários prêmios. Entre eles, Ondas, em Barcelona, pelo melhor programa de rádio internacional; Vamos Brincar, em 1985, e MEC - Troféu Mambembe pelo espetáculo Música para Brincar e Cantar, com o Bloco da Palhoça, em 1981.Fala, Bia. Canta e conta para gente.
Condomínio etc. - Bia, conta como foi o despertar de seu trabalho. Fale de sua infância, seus sonhos de menina, de seu “jardim imaginário”.
Bia Bedran - A casa onde nasci, de quase toda a minha vida, foi construída dentro do mar, na encosta da Estrada Fróes, cercada de árvores e sons da natureza. Era mesmo como se fosse um jardim mágico, muito inspirador... Minha mãe era professora e, durante muitos anos, foi diretora do Jardim-de-infância Angelus, o primeiro do estado do Rio a dar ênfase à arte-educação. Dona Wanda Bedran foi a primeira contadora de histórias que conheci e, com certeza, por causa dela e também pelo estímulo de meu pai, me tornei artista. Eles tinham muito orgulho de minhas criações, que começaram antes de eu aprender a ler e escrever. Minha mãe dizia que com três anos eu criei este poeminha, e se pediam para eu repetir, eu repetia igualzinho:
Acordei de madrugada, quis beber água, fui na cozinha, que pena!
A porta estava fechada... também, a água não estava filtrada!
Cetc. - Qual o papel da leitura em sua vida?
BB - Minha mãe contava tantas histórias que eu praticamente aprendi a ler sozinha, antes de ir para o jardim. E também adorava os discos de histórias musicadas por Braguinha, o que muito me influenciou como criadora, mais tarde. É claro que num ambiente desses, tão favorável à arte, eu logo me apaixonei pelos livros e me tornei uma devoradora deles. O exemplo é tudo. O estímulo continuado também. Antes eu devorava a maravilhosa “contação” de mamãe. Ddepois li toda a coleção de Monteiro Lobato, me encantei pelos poemas infantis de Cecília Meireles (musiquei quase todos, mas ainda não os gravei, mas é um projeto), como o Ou Isto ou Aquilo. Mark Twain, O feijão e o sonho, O quinze (Raquel de Queiróz), O cortiço, Dom Casmurro, As mil e uma noites, O apanhador no campo de centeio, Os meninos da Rua Paulo, Meu pé de laranja lima, Marcelino pão e vinho, Coleção O mundo da criança, O livro das Virtudes, essas são algumas obras que me encantaram e que li precocemente. Até tive um cachorro boxer na infância ou pré-adolescência chamado Dom Casmurro!
Cetc. - Como foi sua iniciação musical?
BB - Quando eu tinha seis anos, meus pais me colocaram para estudar música (flauta doce e iniciação musical) com a maravilhosae inesquecível professora Ruth. Aos nove, comecei o violão com dona Cecy. Mas já compunha, e minha mãe escrevia as letras num caderno grande. Depois levava para o maestro Felício escrever as partituras. Tudo ficava registrado direitinho... São muitas músicas. A partir dos nove anos, comecei a participar dos festivais de canção popular, em Niterói e em outras cidades do estado do Rio, e quase sempre saía finalista. Cantava com meu violão em festas, em programas de tevê de auditório, como o da TV Tupi. Meus pais sempre me levavam pra lá e pra cá. Quando nasceu meu irmão, Gguilherme, mamãe fechou o colégio para se dedicar a nossa criação. Depois nasceu Laura. Todos nós já estudávamos música em Niterói e depois na Pro-Arte, no Rio. Eu fui estudar violão clássico, e Guilherme, violino. Ele toca até hoje comigo e com outros músicos.
Cetc. - E assim sua carreira foi tomando forma... Você sempre quis ser artista?
BB - Eu pensava na música, no teatro, na arte, mas não em ser artista. Cantava, vivia com o violão debaixo do braço, escrevendo letras e poemas, mas queria fazer vestibular para Química, mesmo já sendo compositora do grêmio do colégio. Iisso já no antigo segundo grau (optei pelo científico, e não pelo clássico, para espanto de meus professores, já que eu só tirava 10 em redação). Passei para o Fundão (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em 1972, em oitavo lugar para Química, mas só cursei quatro períodos. Em 1973, minha família - mãe, tias, tios, pai, primos e irmãos - decidiu fundar um teatro em Niterói, onde todos morávamos, precisamente dentro do quintal da irmã de minha mãe, em São Francisco também, na Rua Ggeneral Rondon - o projeto arquitetônico era do tio, mamãe criava as peças (todas infantis), minhas tias trabalhavam como atrizes e também escreviam textos, outra tia maravilhosa, a única do Rio, Maria de Lourdes Martini, atuava como diretora, e nós, a ala jovem, atuávamos e cantávamos sob minha direção musical. Foram 10 anos do Quintal Teatro Iinfantil. Ddurante esses 10 anos, fundei também, junto com Victor Larica e Ricardo Medeiros, o grupo musical Bloco da Palhoça, integrando a tradição oral com nossas criações. Ficamos juntos mais 10 anos. Eu me casei com o Victor, com quem tive duas filhas, hoje com 24 e 28 anos, também amantes da arte: uma é de cinema, outra, de música, design e produção.
Cetc. - Música e teatro e literatura. Dificuldades, belezas, alegrias. Onde sua alma decola?
BB - Minha alma decola na criação e depois ela sorri no palco para mostrar a criação... Acho que a educação é uma paixão também, pois sou professora há 24 anos. Comecei no Colégio de Aplicação dando aulas de Música, em 1985, e há uns 15 anos estou no Ddepartamento Cultural da Uerj ministrando oficinas de criação artística ligadas à Literatura e à Música. Antes de prestar concurso para o Colégio de Aplicação da Uerj, já vinha dando aulas de musicalização em várias escolas particulares de Niterói e do Rio de Janeiro. A partir dos 16 anos, levava para as crianças de cinco a 10 anos uma maneira de ensinar música que eu ia inventando à medida que as aulas ocorriam. Usávamos sucata para fazer som, criávamos, em conjunto com a professora de Artes Plásticas, o boi da festa junina e mais um monte de bonecos para ilustrar as histórias cantadas. Enfim, eu já havia iniciado, empiricamente, a pesquisa que continuaria mais tarde com mais método, fundamentação e formação acadêmica. Foi essa mesma linguagem que desenvolvi depois, tanto no Teatro Quintal quanto no Bloco da Palhoça e no programa Canta-Conto, da TVE, hoje TVBrasil.
Cetc. - Chegamos a um ponto quente. Criança e tevê no Brasil.
BB - O papel da televisão, para a criança, é formador ou "deformador", como podemos verificar com a banalização da informação e do que se mostra em muitos programas da tevê comercial e aberta. Existe uma miscelânea de conteúdos na programação em geral que é bastante indigesta para a cultura da infância, como costumo dizer. Alguns programas infantis da tevê comercial não eram nocivos, eram somente entretenimento fácil e vazio de conteúdo criativo. Tudo o que incentiva o consumismo na criança, eu chamo de nocivo, pois a infância não é o momento de se instalar o desejo, de ter marcas, ou de ter status, ou de ser celebridade, ou de ter sucesso e dinheiro. A infância é a época das descobertas, dos mistérios a serem desvendados, da brincadeira, da alegria, do sonho, do imaginário livre e criador. Acho que o público sabe discernir, se tiver variedade de opções de escolha, qual a programação construtiva para a criança, no sentido de produzir conceitos, subjetividade e alteridade, além de divertir e discutir valores.
Cetc. - E a Bia na tevê?
BB - Minhas inserções na tevê, sempre cercadas de artistas, roteiristas e pensadores ligados à arte-educação, permearam a arte de cantar e contar histórias, que se tornou o nome oficial de minhas oficinas e palestras pelo Brasil. Uma vez por mês, de março a dezembro, realizo, no Teatro Noel Rosa, uma aula-espetáculo aberta às crianças e aos professores com o mesmo nome: “A arte de cantar e contar histórias.”
Voltando à tevê: nos remotos 1976 e 1977, fiz o Era uma Vez e o Por que Sim? Por que Não?, de Benjamim Santos e Zé Renato Monteiro, na TVE. Em 1988 e 1989, fiz o programa Baleia Verde, de Fernando Barbosa Lima, meu querido amigo e importantíssima figura do jornalismo e da tevê, que se foi ano passado também e a quem devo muito na elaboração de minha carreira. Baleia Verde foi a primeira revista ecológica da tevê brasileira e passava na Manchete e na TVE. Em 1995, fiz o Lá Vem História, programa da TV Cultura de São Paulo. De 1987 a 1993, fiz o Canta-Conto. Iinfelizmente, meu programa acabou por motivos desconhecidos, alheios à minha vontade, claro. Eu amava o projeto e tinha consciência da importância dele para as crianças do Brasil. E para os pais e educadores também. Mas havia mudado a direção da casa, quem chegou não achava o projeto interessante, sei lá... Enfim, acabou, fiquei muito triste e chocada inicialmente, pois achava que o programa deveria ser um projeto do tipo "para sempre" da casa, sabe, aquele formato infalível e necessário: literatura, música, boas entrevistas, muita poesia, convidados maravilhosos e interessantes para o mundo da infância, curiosidades, ecologia, tudo de bom. Mesmo que eu tivesse de sair, achava que o programa deveria continuar com outra apresentadora ou apresentador, conservando a linguagem. Mas não foi assim, e a TVE (Brasil) desde então não investiu mais em nenhum programa naquele formato.
Lá se vão 16 anos fora da tevê, mas o engraçado é que as pessoas me encontram e dizem: “Eu adoro seu programa”, assim, no presente, é como se fosse uma memória viva, cotidiana.
Cetc. - O que significou Histórias de um João de Barro, que fez tanto sucesso durante dois anos no Teatro Villa-Lobos?
BB - O espetáculo é muito significativo para mim, pois homenageio meu grande inspirador na ideia de musicar histórias. A coleção Disquinho, criada por ele, com inúmeros clássicos da literatura nacional e internacional, todos musicados em versos rimados, com aqueles narradores maravilhosos escalados pelo próprio Braguinha, foi uma matriz modelar para meu projeto de compositora de canções para crianças. O DVD sairá pela RobDigital e foi gravado ao vivo, no Villa-Lobos, em quatro sessões. Ficou lindo e tenho muitas expectativas boas para esse trabalho.
Cetc. - Sabemos que um de seus maiores prazeres é cantar e contar histórias, acompanhada de sua equipe de músicos e técnicos, viajando pelo Brasil. Como é sua trupe?
BB - Minha equipe artística, de produção e de técnicos, é muito grande e fiel. Estamos sempre juntos para que os projetos, tão diversificados, fiquem do jeito de que gosto, bem cuidados. Às vezes, temos participações especiais num projeto específico, mas o núcleo da equipe se mantém - direção e luz: Djalma Amaral; texto e roteiro: Nick Zarvos e eu; músicos: Ricardo Pacheco (teclado e arranjos); Paulão Menezes (percussão); Guilherme Bedran (violino, rabeca, bandolim e voz); Tiago Souza (bandolim); Alexandre Maionese (flauta e flautim); direção musical e contrabaixo: Ricardo Medeiros; na produção: Maurício Ribeiro; figurinos e cenário: Ney Madeira, Adriana Milhomen e Daniela Vidal; bonequeiras e aderecistas: Gabriela Bardi e Joana Lavallé. E durante muito tempo tive a alegria de manipular bonecos (até hoje existem) feitos por minha mãe e por meu primo Maurício Quintas, que já partiram, e por minhas tias Wandirce e Zezé, também ex-integrantes do Quintal, magníficas bonequeiras, e contando com o apoio logístico de tia Dulce e Andréa, Lucy Ribeiro e Namir Lagos. Elias Rosa é meu roadie (faz-tudo, contrarregragem, assistência de palco) e Laura Bedran é design e faz a programação visual, além de tantos outros. É impossível realizar um bom trabalho sem equipe e, principalmente, sem harmonia na equipe. Eu sou a líder do grupão, faço a direção-geral de tudo em que me meto em se tratando de infância, mas preciso de cada um da equipe. Ddos músicos então... Costumo dizer que "...sem os músicos não há música...”
Cetc. - Vamos falar sobre esquizofrenia. Como é ser escritora num país de 16 milhões de analfabetos absolutos e um terço da população que mal consegue identificar enunciados simples? Paradoxalmente, o Brasil é o oitavo produtor de livros no mundo...
BB - Escrever num país de 16 milhões de analfabetos absolutos é necessário, até para que se possa mudar esse triste quadro. Mais do que escritora, porque tenho poucos livros em relação a minha obra musical de mais de 200 canções, sinto-me uma artista que trabalha para fomentar o incentivo à leitura não somente de livros, mas de mundo, pois a arte tem esse papel, e o contador e cantador de histórias também. Antes de encantar pela performance, o contador encanta pela palavra e por seus significados lançados ao vento e aos corações e mentes. É uma alegria muito grande e é muito satisfatório ver as crianças das escolas públicas envolvidas em projetos com meus livros, se alfabetizando com a ajuda de meus textos, criando bonecos, dramatizações, enfim, recriando e dando novos sentidos à obra.
Cetc. - Bia, conta seus planos para os próximos tempos. Viagens, montagens, livros...
BB - Quero preparar, para junho, o Forró da Bia, um show de São João para adultos e crianças, com um repertório de músicas de São João de minha autoria misturado aos clássicos de Luís Ggonzaga, Jackson do Pandeiro, Lamartini Babo e Braguinha. Gostaria muito de levar meu trabalho para Portugal e para os países lusofônicos. É um sonho antigo, que ainda não se realizou.
Cetc. - Cyana Leahy-Dios, mestra nas letras e amiga de nosso coração, pergunta: “Você pode dar a receita do que come, bebe, faz de dia e de noite para se manter a mesma há 30 anos?
BB - Agradeço muito a Cyana, que disse que eu me mantenho igual há 30 anos... Claro que ela exagerou por ser minha querida amiga... O vigor físico é puxado muito pelo vigor espiritual que a gente ganha com terapia holística, acupuntura e prática cotidiana de entoar os mantras e agradecer. Corro, no mínimo, quatro vezes por semana e tenho personal trainer para evitar acidentes musculares. Bebo mais de três litros de água por dia (o que também ajuda a manter a voz), como duas colheres de sopa de arroz e duas de feijão todos os dias, com carne, frango ou peixe, e sempre algum legume. O ideal é pouca quantidade de comida e variação de cores no prato. Legumes e verduras coloridos, que nem minha história da Sopa de Pedra. Adoro um bom vinho tinto chileno ou português e não tomo refrigerante. Quase nunca como doce, mas em meu aniversário, no Natal e no réveillon eu me permito. Uma vez a cada dois meses minha secretária faz um bolo de fubá com coco que fica durante a semana toda na mesa da cozinha e a gente (eu e minhas filhas) vai tirando lasquinhas para adoçar e suavizar mais a vida. Adoro cafezinho, preciso até diminuir a quantidade. Uma fruta por dia para mim é o suficiente. E muito queijo minas, uai! E muito bom humor para “equilibrar” os pratos: somos mesmo verdadeiros equilibristas na arte e no amor.
Cetc. - Então essas são algumas de suas chaves do sucesso...
BB - O segredo do sucesso de um trabalho ou projeto é saber que cada passo tem de ser dado com calma, paciência e com muito amor pelo que se faz. Não visar ao sucesso, e sim ao caminho a percorrer até o trabalho se concretizar. Gosto de citar Gguimarães Rosa quando ele diz, lindamente: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”
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“Cresci amiga dos livros e da música. Quanto mais eu lia, mais tinha ideias para escrever poemas, canções e novas histórias. Sempre gostei de observar o mundo e as pessoas. O que elas pensavam, como agiam e por que faziam certas coisas. Desde criança eu vivia escrevendo sobre tudo isso. Agora que eu cresci bastante, escrevi este livro para você ler e pensar junto com a criança que mora nestas páginas. Os pensamentos dela podem ser bem parecidos com os seus. Ou, quem sabe, muito diferentes. Só lendo para você descobrir.”
(quarta página de Cabeça-de-Vento)
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