

Em primeiro lugar, os economistas deste mundo globalizado não conseguiram comparar essa crise com nenhuma outra existente em qualquer época de nossa civilização. Pudera, hoje os meios de comunicação e a tecnologia criada nos últimos 50 anos superam qualquer controle e interligam o mundo, no qual a moeda e as “operações virtuais” deixaram de ser reguladas.
Um megafundo de investimentos, criado por um renomado investidor americano, sr. Murdoc, consegue lesar milhares de instituições e pessoas no mundo todo, dando um calote de 50 bilhões de dólares. Nos últimos 20 anos, repassava taxas altas aos cotistas e, por não ser fiscalizado, enganou todas as suas vítimas, inclusive grandes bancos. A confiança do mundo financeiro despencou com tantos estouros e falências, e o crédito, que é o sangue de toda economia, praticamente deixou de existir.
Até agora não se sabe o tamanho do rombo e quem vai conseguir sobreviver. Todos os países entraram no mercado diretamente, sustentando grandes bancos e companhias que faliriam se não fossem socorridas com empréstimos imediatos - que devem ser devolvidos no futuro, quando a “normalidade” retornar.
Ainda assim, a confiança não foi restabelecida, embora a posse do presidente dos Estados Unidos, em janeiro último, um líder carismático de origem africana, o senador Barack Obama, tenha sido fundamental para vislumbrar o caminho. Esse homem conseguiu uma vitória inesperada e quer implantar novos conceitos em seu país, que, sem dúvida, lidera o mundo e foi o principal responsável pela eclosão dessa crise sem precedentes.
Ele propõe, entre numerosas medidas, a criação de energias sustentáveis que preservem a natureza; defende maior regulação do mercado financeiro, sem ingerência direta do Estado, pois é sabido que a iniciativa privada é mais bem-sucedida quando é fiscalizada e regulada (o tabu que dizia que “os mercados se regulam por si próprios” caiu por terra); pretende mudar radicalmente o ensino, criando oportunidades nas universidades, que são caríssimas; visa reformular totalmente a assistência médica e criar novos empregos em obras do governo; pretende, ainda, acabar com a tortura ou quaisquer práticas que firam os direitos humanos executadas por americanos e espera transformar os Estados Unidos num parceiro dos outros países, de modo que o Tio Sam não seja visto mais como um país apenas imperialista, que manda no mundo.
Todas essas reformas levarão alguns anos, mas a verba bilionária já foi aprovada e agora se tornou lei. Algumas medidas são imediatas, mas ainda não se sabe como e quando a confiança voltará. Até que isso ocorra, haverá muito desemprego e recessão no mundo.
O Brasil não foi tão afetado, mas também temos que lutar muito e fazer nossas reformas nas áreas política, tributária e trabalhista, pois sem elas não nos firmaremos. Vamos torcer para que o presidente do Banco Central americano esteja certo, pois afirmou que a partir de 2010 voltaremos à normalidade, ou pelo menos próximo a ela, mas isso só o futuro mostrará.