41 - ABR MAI JUN 2009
 


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O que fazer com sua área verde?



Há quatro anos, Adílio Barros assumiu o cargo de síndico do Conjunto Costa Verde, em São Conrado. Além dos muitos encargos da administração, os jardins do condomínio foram um detalhe que ele não pôde ignorar. Iisso porque os moradores do Costa Verde têm como vizinha de frente uma parte da Floresta da Tijuca. A área de lazer e os jardins ocupam mais de 5 mil metros quadrados. A solução encontrada para cuidar de todo o espaço foi contratar uma empresa de paisagismo. O resultado? “Nossos jardins e áreas de lazer procuram reproduzir o mesmo padrão, utilizando plantas nativas. Dessa forma, a gente assegura a harmonia e tem a garantia de que as plantas fiquem bonitas e bem adaptadas, uma vez que estão aqui há milhões de anos. Além das espécies naturais, temos algumas plantas exóticas, como pinheiros e orquídeas”, afirma.

O condomínio ainda adota medidas ecológicas e faz captação da água da chuvapara a irrigação da área verde. “Isso dá uma boa economia na conta de água, ajuda a conter o excesso que polui nossa praia e ainda oferece nutrientes naturais para os jardins”, comemora o síndico.

Nem todo condomínio tem uma área de 5 mil metros quadrados e tanta necessidade de atenção e cuidado como o Costa Verde. Mas um projeto de paisagismo e a orientação de um profissional especializado podem valorizar qualquer fachada. Mesmo os prédios com pouca área disponível para o plantio podem ganhar um ambiente mais acolhedor, bonito e harmônico, só investindo nas plantas certas. É por isso que a revista Condomínio etc. entrevistou a paisagista Lúcia Gguimarães para dar dicas e sugestões a três síndicos que administram edifícios bem diferentes.

Pouco espaço e muita vontade

O síndico André Castelo Branco, do condomínio Acauã, em Iipanema, tem pouco espaço mas muita vontade de criar uma área verde que embeleze a parte externa do edifício. No fundo de seu prédio há uma jardineira com cactos, localizada bem ao lado da piscina, numa área que só recebe sol no verão. Na frente do prédio há um pequeno jardim e, espalhados pelo play, vasos com plantas. Quem cuida de tudo é o porteiro, responsável por escolher as espécies, regar e cuidar para que fiquem sempre saudáveis. Mas o resultado não é satisfatório. “Nunca está muito bonito”, diz Castelo Branco.

Segundo a paisagista Lúcia Guimarães, o ideal seria o porteiro receber orientação de um profissional da área para saber como podar, adubar, regar e fazer a aeração do solo de forma correta para que as plantas estejam sempre saudáveis. Segundo ela, algumas espécies de cactos sobrevivem bem à falta de sol, desde que o ambiente seja iluminado. Mas a jardineira ainda poderia receber diferentes tipos de planta que se adaptam às condições descritas. “Plantas que sobrevivem bem às condições da jardineira da piscina são Pleomele reflexa, Heliconia, Alpinia purpurata, dracenas, algumas marantáceas e Ophiopogon japonicus (pelo-de-urso)”, exemplifica.

Poda correta e extermínio de caramujos

Eliana de Almeida, síndica do condomínio Residencial Iibituruna, na Tijuca, tem a ajuda de um paisagista para cuidar dos jardins do condomínio. Ela sente orgulho do espaço verde que já conseguiu montar com a ajuda do profissional, mas ainda tem algumas dúvidas. Um de seus maiores problemas são as plantas do play, uma área que não recebe sol e é muito frequentada por crianças. Além disso, ela gostaria de saber como acabar com os caramujos que atacam seu jardim e manter as ixoras podadas, com um formato bem certinho, sem que a planta perca suas flores. “Como resolver esse problema? Existe uma data precisa para podar?”

Lúcia Gguimarães explica que sim, há uma data certa para a poda. Ela deve ser feita antes de a primavera chegar, no final de julho, início de agosto. Assim, a planta ganha o formato antes do período de floração. Para acabar com os caramujos, a paisagista ensina uma receita caseira, que foge dos defensivos químicos aplicados no solo: espalhar pelo jardim chuchus cortados ao meio e cascas de melancia. As lesmas e os caramujos são atraídos e, depois de algumas horas, é só voltar ao local para coletar os bichos, que estarão sobre o legume e as cascas. Para a área de sombra, Lúcia indica as mesmas plantas que aconselhou ao síndico André Castelo Branco.

Responsabilidade, ética e noção estética

Fernando Acylino é síndico do condomínio Visconti, em Botafogo, há um ano e quatro meses. Só de olhar pela janela de seu apartamento ele já vê as muitas alterações que precisam ser feitas no jardim e canteiros do edifício. Acylino é arquiteto e paisagista e já projetou os jardins dos mais diferentes espaços: varandas, casas, fazendas, cidades e planejamentos para o programa Favela-Bairro. Mas depois que assumiu, acredita que não é ético realizar um projeto paisagístico durante sua gestão.

Acylino sabe muito bem quais são os problemas que precisaria enfrentar. “Meu prédio tem um jardim no play muito tímido, feito há muito tempo e com plantas inadequadas. Não são plantas de jardineira. A drenagem das jardineiras é problemática se a planta não for a correta: a raiz pode romper a impermeabilização e ocasionar infiltração”, explica, citando como ideais algumas palmeiras, orquídeas e bromélias.

Além da escolha certa de plantas para as jardineiras, Lúcia Guimarães lembra que um tratamento prévio destas pode evitar problemas futuros de infiltração. “O risco existe realmente, mas pode ser minimizado por uma impermeabilização bem-feita e alguns cuidados antes do plantio, como uma boa drenagem com brita e a utilização de manta forrando a jardineira, que vai proteger a saída de água da penetração de raízes e do solo de plantio”, explica.

Em relação às vantagens de um projeto paisagístico no condomínio e da orientação de um profissional especializado, o síndico Fernando Acylino não tem dúvidas: “Para mim, um projeto de paisagismo é parte do patrimônio. Dá uma humanizada no ambiente e faz com que a pessoa se sinta dentro de um local não tão construído. Cada vez mais eu vejo o pessoal da construção civil investindo nessa área”, defende. Eliana de Almeida concorda: “Eu idealizo o que quero, o paisagista me aconselha sobre as melhores opções e chegamos a um consenso. O jardim que tenho hoje é outra coisa”, garante.

Um paisagista ainda pode criar um projeto de acordo com a vontade dos moradores e orientar sobre a melhor forma de manter o local. “Sem dúvida que valoriza o condomínio, se for devidamente mantido após a implantação do projeto. Além de humanizar áreas construídas, um belo jardim refresca e torna o lugar agradável”, defende Lúcia Guimarães.

Já pensou em plantar uma horta dentro de seu condomínio?

Quem não gostaria de ter uma horta dentro da própria área do condomínio? Legumes, verduras e temperos fresquinhos a poucos passos de casa? A realização é possível, mas a questão deve ser bem analisada antes de ser implementada. O síndico e paisagista Fernando Acylino recorre à sua experiência para aconselhar. “Já fiz vários projetos de horta para os mais diferentes espaços. Toda vez que faço uma horta pública, há muita confusão. A primeira questão que surge é: como dividir o que é produzido? Acaba se transformando em um problema que nenhum síndico quer comprar”, avisa.

Lúcia Guimarães acredita que um condomínio com uma área que receba a luz do sol por, pelo menos, cinco horas pode construir uma horta. Para montar uma horta básica ela aconselha temperos, como salsa, cebolinha, alecrim, coentro e tomilho, e verduras, como alface e espinafre. E, para completar, rabanete, berinjela, abóbora e cenoura.

Acylino faz mais outra ressalva para os síndicos que resolverem se aventurar na empreitada. “É muito mais difícil fazer a manutenção de uma horta ou pomar. Você separa as sementes, faz a área da sementeira e, só depois, elas podem ir para o espaço de cultivo. E é preciso sempre recomeçar. A alface, por exemplo, você tirou, acabou, tem que começar o processo todo de novo.”



 


O síndico André Castelo Branco quer um jardim bonito na área da piscina.

 


Eliana de Almeida quer acabar com os caramujos de seu jardim.


Lúcia Guimarães: “Além de humanizar áreas construídas, um belo jardim refresca e torna o lugar agradável.”

 


Fernando Acylino é síndico e paisagista: “Meu prédio tem um jardim no play muito tímido.”

 


Para montar uma horta básica são aconselhados temperos como salsa, cebolinha, alecrim, coentro e tomilho.

 

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