

A grafologia é uma ciência que consiste no estudo e na análise da escrita e tem como objetivo conhecer a personalidade e o caráter da pessoa. Avalia o nível de inteligência, os tipos de liderança, o humor, o temperamento, a desonestidade, os tipos de relacionamento, a aptidão para determinadas profissões, enfim, uma gama valiosíssima de informações.
Essa ciência presta apreciáveis serviços não só à psicologia, mas à pedagogia, à medicina, à justiça, ao comércio e à indústria. Resumindo: em todas as circunstâncias sociais em que é necessário conhecer melhor as pessoas com quem estamos convivendo, pois ao fazer a análise da escrita é possível descobrir como a pessoa está interagindo em seu espaço vital, como está utilizando sua energia e sua força para se adaptar ao meio, às pessoas e às constantes mudanças nesse mundo globalizado.
A grafologia vem sendo estudada mais seriamente nos últimos 130 anos. Tudo começou com o pesquisador francês Jean H. Michon, considerado o pai da grafologia.
A França é considerada o berço da grafologia científica, e a escola francesa foi a base para as demais escolas da Europa (Alemanha, Espanha, Suíça, Inglaterra etc.), América do Norte (Estados Unidos e Canadá), Ásia (China e Rússia) e América do Sul (Brasil, Argentina, Chile, Venezuela etc.).
O avanço da grafologia nos últimos anos, sobretudo com sua entrada nas grandes universidades europeias e americanas, colocou esse tipo de estudo na primeira linha de interesse acadêmico e empresarial.
No Brasil, a grafologia ainda não é regulamentada por lei. Contudo, existe na Câmara dos Ddeputados, em Brasília, um projeto de lei de 2006, elaborado e encaminhado pela Sociedade Brasileira de Ggrafologia (Sobrag), que visa reconhecer o exercício da atividade profissional de grafologia. O artigo sexto de tal projeto defende que a profissão de grafólogo passará a integrar o grupo das profissões liberais do quadro de atividades a que se refere o art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Na Alemanha, a grafologia é oficialmente reconhecida e regulamentada. Segundo estatísticas, 80% dos psicólogos profissionais alemães estudaram e praticam a grafologia, assim como em outros países europeus e de outros continentes.
Aliás, na Alemanha, existem estudos avançados da escrita com aplicabilidade em terapêutica e criminologia. Podemos citar uma das mais brilhantes grafólogas, Roda Wieser, que, além de seu trabalho como grafóloga de empresa, estudou o grafismo de criminosos e delinquentes.
As áreas de utilização da grafologia são muitas e diversificadas:
a) nas empresas (seleção, treinamento, desempenho e orientação vocacional);
b) na criminologia (falsificação de assinatura e identificação de suspeitos e estelionatários);
c) na terapêutica (subsídios para identificar doenças e acompanhar tratamentos);
d) na educação (melhoria no desempenho escolar);
e) na paleografia, estudo da escrita antiga (em qualquer espécie de material).
A aplicabilidade da grafologia, como se pode ver, é bem ampla, mas por ora falaremos de sua utilização em empresas e na questão dos perfis de liderança.
Existem vários tipos de liderança; contudo, para saber em qual o profissional se enquadra, há uma classificação com algumas características específicas que podem ser identificadas por meio da escrita. Para que você conheça melhor esses perfis, veja a seguir alguns deles:
- Um líder que valoriza mais a integração na equipe, a cooperação e o relacionamento próximo com todos e menos os aspectos produtivos;
- Um líder que valoriza mais a produtividade, a rapidez e a eficiência e que considera secundário o relacionamento na equipe;
- Um líder que valoriza mais a autonomia, a responsabilidade e a maturidade e prefere o distanciamento da equipe;
- Um líder que valoriza a flexibilidade de atitudes, a concentração nas tarefas e a responsabilidade e gosta de se sentir apoiado pela equipe;
- Um líder que valoriza a subordinação, a fidelidade e a eficiência e cobra a operacionalização de tarefas em vez de objetivos e metas;
- Um líder que valoriza a empatia, o bom relacionamento e gosta de deixar o grupo trabalhar sozinho, dando oportunidade à equipe para se posicionar.
Entenda algumas situações da aplicabilidade da grafologia:
1. Em processos seletivos: para cargos de liderança nos deparamos com profissionais com algumas características/competências de líder, mas que necessitam desenvolver outras aptidões. Nesse caso, falamos que a pessoa é apta para o cargo, mas com algumas restrições. A grafologia pode muito bem identificar se essas restrições vão ou não comprometer o desempenho profissional e se é válida ou não a contratação.
2. Em uma equipe já formada: se uma equipe vem apresentando problemas em relação à integração ou ao desempenho, a empresa pode aplicar a grafologia para detectar se o problema é do grupo ou do tipo de liderança e orientar na resolução do problema. Dependendo do que a empresa necessita, muitas vezes é necessária uma liderança mais democrática. E se está instalada uma liderança autocrática, isso pode gerar conflitos. O inverso também pode causar problemas.
3. Exemplo: um profissional participou de um processo seletivo para um cargo de liderança em uma empresa. Por meio do resultado da análise grafológica, foi detectado que ele possuía um nível superior de inteligência; contudo, faltavam algumas competências fundamentais, como a habilidade para trabalhar com grupos, e ele possuía pouca flexibilidade mental. Apesar disso, a empresa decidiu contratá-lo. Durante o período de experiência, ficou comprovado que o profissional não era adequado àquele cargo.
Em suma, a grafologia pode ser utilizada como uma ferramenta complementar num processo seletivo e com enfoque preventivo. Caso a empresa insista na contratação, é pertinente um investimento nas competências que necessitam ser desenvolvidas, por meio de um treinamento.
Por meio deste texto, você obteve mais informações sobre grafologia, sua credibilidade e aplicabilidade em vários países, inclusive no Brasil.
É importante também ressaltar que não há qualquer relação dessa ciência com ocultismo, esoterismo ou adivinhação, muito pelo contrário, existe fundamentação científica.
A utilização da grafologia para detectar perfis de liderança foi apenas uma amostra dos benefícios que podem ser alcançados com essa valiosa ferramenta. Numa próxima edição, mostrarei outras aplicabilidades dessa ciência. Aguardem!
Lana Bluhm Zak é psicóloga, pós-graduada em Gestão de RH e em Psicopedagogia, especializada em Grafologia Empresarial e Pedagógica e consultora de RH.