Condomínio & etc.




Ano 7 – nº28


» CAPA

Impermeabilização
Patrícia Rocha


Impermeabilização preventiva mantém a saúde do patrimônio comum

Assim como nós, todas as coisas têm um tempo útil de vida. E se não tivermos o devido cuidado, elas se deterioram e nos trazem problemas que poderiam ter sido evitados. Não é assim apenas com a saúde ou os aparelhos eletrônicos, por exemplo. A estrutura de um edifício também se danifica com o passar dos anos: infiltrações na caixa d’água, na laje e no playground, goteira na garagem e aquele bolor no teto do banheiro que se transforma em mofo são provas inquestionáveis, além de dor de cabeça para o síndico, é claro. Impermeabilizar torna-se então a palavra de ordem para manter e resgatar a saúde do patrimônio e dos moradores.

Impermeabilizar áreas de uma construção é impedir a passagem de água, que causa danos à estrutura do prédio, corrói a armadura do concreto e promove vazamento e infiltração responsáveis por ambientes úmidos, manchas nas paredes, descascamento de pintura e mofo.

“O síndico deve impermeabilizar áreas específicas, como lajes de garagem e de cobertura, jardim, jardineira, caixa d’água, piscina, varanda, terraço, calha, viga, teto da casa de máquinas e da caixa d’água, playground, cisterna, subsolo e estação de tratamento de esgoto”, enumera Thaís Miranda, engenheira civil da Cetimper, empresa especializada em impermeabilização, há mais de 20 anos no mercado.

Os problemas decorrentes das infiltrações representam riscos para os moradores: o vazamento no teto da caixa de máquina, por exemplo, acarreta o pinga-pinga no motor do elevador; quando ocorre no teto da caixa d’água, polui a água consumida pelos moradores; já na caixa d’água, provoca o pinga-pinga em unidades, surgindo aquela mancha preta e causando bolor e mofo; se for no playground, a água pode cair na garagem e até manchar a pintura de carros.

Carlos Alberto Cunha é síndico do Edifício Residencial Grand Prix, em Jacarepaguá, e enfrentou uma infiltração no terraço, problema que se arrastou durante todo o ano de 2005 e que provocou goteira na sala e na área de serviço de um dos apartamentos. “Felizmente, tudo foi resolvido e parte do terraço foi cimentada. Surtiu efeito e não tivemos mais problemas. A área não foi impermeabilizada, mas se necessário, não hesitarei em fazê-lo”, afirma. De acordo com a engenheira Thaís Miranda, o problema foi solucionado temporariamente. Com o passar do tempo, com a água das chuvas e o sol quente, a argamassa trincará e aparecerão rachaduras, o que fará a água entrar novamente. “O recomendável nesses casos é contratar um especialista para identificar o problema, apresentar um laudo e apontar a devida solução. Assim, ele terá a garantia de que a infiltração não retornará”, justificou.

O engenheiro Luiz Otávio Gomes Ribeiro, da Ricel Construtora e Empreendimento, concorda com a engenheira Thaís: “O melhor a fazer e contratar um profissional. É como um médico, só ele pode identificar a doença e prescrever o devido tratamento. Problemas com estrutura é muito sério e se não forem tomados os devidos cuidados, pode ser fatal”, argumenta.

Ele faz questão de lembrar casos de desabamento que a imprensa não nos deixou esquecer. Há três anos, um edifício no Centro do Rio desabou e provocou a morte de pessoas, e na mesma época, num edifício na Bento Lisboa, no Largo do Machado, moradores tiveram que abandonar o local devido a rachaduras na fachada. Foi um período de pânico na cidade que serviu para mostrar que com problemas de estrutura realmente não se brinca.

Para a síndica Myriam Soares, do Edifício Honduras, em Copacabana, impermeabilizar faz parte da rotina. Em cinco anos de gestão, foram impermeabilizadas várias áreas do prédio: terraço, telhado, marquise e caixa d’água. “O síndico deve cuidar do edifício como cuida de sua própria casa. Se tiver que fazer, faça, mesmo que seja necessário a convocação de assembléia para aprovação do orçamento. O importante é agir. É para o bem de todos”, aconselha a síndica.

Existem várias técnicas de impermeabilização no mercado, e para cada caso é utilizada uma diferente. Uma delas é a injeção de resina (poliuretano hidroativado) destinada a resolver problemas de infiltração em reservatórios e estruturas de um modo geral.

O poliuretano flexível nada mais é que uma resina líquida hidrófoba, imune à penetração de líquidos, e projetada para acabar com todos os tipos de vazamentos ou infiltrações. A técnica é indicada para subsolo, caixa d’água e estação de tratamento de esgoto. Só pode ser utilizada quando se tem o concreto exposto e, nesses casos, não há necessidade da inevitável quebradeira, já que a aplicação é feita por injeção.

Há também a manta asfáltica, usada em terraços e lajes descobertos e também na construção civil com bastante êxito. “Para cada tipo de problema, é necessária uma técnica específica. Daí a importância de se contratar uma empresa idônea para fazer levantamento e identificar o problema”, lembra a engenheira Thaís Miranda. O tempo de validade de uma impermeabilização é de cerca de dez anos, segundo ela. Portanto, caberá ao síndico, ao término desse prazo, refazer o procedimento.

Cuidados na contratação de profissionais

Os engenheiros Luiz Otávio e Thaís Miranda aconselham o síndico a tomar alguns cuidados na hora de contratar uma empresa:
  • »  a empresa deverá ter um engenheiro responsável e ser registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea –RJ);
  • »  é recomendável que seja filiada a uma entidade do ramo, como a Associação de Empresas de Impermeabilização do Estado do Rio de Janeiro (AEI) ou o Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI);
  • »  exija atestado técnico da empresa;
  • »  cheque as informações e verifique o tempo de existência no mercado;
  • »  verifique se há sede na cidade;
  • »  visite a empresa.
Os telefones do Crea-RJ são (21) 2516-3618 e 2206-9662, ramais 149 ou 801. O site é www.crea-rj.org.br. O telefone da AEI do Estado do Rio de Janeiro é (21) 3860-8614.

Áreas do condomínio com as quais o síndico deve se preocupar e alguns elementos que exigem atenção:

Piscinas enterradas

São piscinas executadas diretamente sobre o solo, tendo as suas paredes encostadas nele. Para esse tipo de estrutura, é necessária a execução de uma impermeabilização rígida que suporte a pressão de água proveniente do solo.

Piscina vazia e exposta às intempéries pode sofrer danos em sua estrutura - desde pequenas fissuras até rupturas nos concretos e nas tubulações. Para evitar riscos, é prudente manter a piscina cheia e sempre tratada, inclusive durante o inverno.

Lajes

A umidade nos apartamentos pode se originar das lajes de cobertura do prédio, quando não impermeabilizadas adequadamente. Já as lajes que possuem tráfego de pessoas necessitam de produtos impermeabilizantes específicos.

Telhados

A manutenção dos telhados é fundamental. É necessário limpar telhas, calhas, drenos e ralos do terraço, bem como verificar se há telhas soltas, quebradas ou trincadas e se estão bem parafusadas ou presas ao madeiramento. Também deve ser certificado se o madeiramento do telhado está em bom estado, imunizado contra cupins e se o conjunto está nivelado.

Água

Eliminar vazamentos e observar as perdas contínuas de água em torneiras pingando, descargas vazando etc. Atenção também às caixas d’água: verificar se há vazamento suspendendo a entrada de água, medindo o nível de água periodicamente.

Fissuras

É comum os profissionais da construção civil, durante o contato com síndicos e moradores, mostrarem preocupação com a ocorrência de fissuras em seus imóveis. As fissuras e trincas podem ter diversas causas - desde movimentações térmicas, que são previsíveis, até a indicação de que a estrutura encontra-se comprometida em sua segurança. Reparos feitos aleatoriamente podem ocultar sintomas importantes e não combater o problema em sua origem. Para sua segurança e economia, solicite a opinião de um técnico habilitado (engenheiro ou arquiteto).

Infiltrações

Nos edifícios, diversos locais devem ser impermeabilizados, como lajes expostas, terraços, reservatórios, caixas d’água, piscinas, calhas, banheiros e porão de elevadores. A ausência de impermeabilização gera incômodo e aparência indesejável, com manchas na pintura, mofo e bolor.

Depois de algum tempo, caso não se tome as medidas necessárias, poderão ocorrer danos à estrutura da edificação, o que representa risco real aos moradores, exigindo medidas imediatas de recuperação estrutural. Tal procedimento resulta em grandes despesas e gera transtorno à rotina dos usuários.

A correta impermeabilização dos reservatórios de água é importante, pois exige a utilização de produtos não-tóxicos, já que eles podem interferir diretamente na qualidade de água de consumo.



Telhados bem impermeabilizados evitam problemas nos
apartamentos de cobertura.





Carlos Cunha é síndico do
Ed. Residencial Grand Prix e
enfrentou uma infiltração no terraço
que provocou goteira na sala e na
área de serviço de um apartamento.



Jardineiras bem impermeabilizadas evitam problemas para o condomínio.

Impermeabilizar é impedir a passagem de água que causa danos à estrutura
do prédio, corrói a armadura do
concreto e promove vazamento, infiltração e danos aos apartamentos.



Em piscinas é necessária a execução
de uma impermeabilização rígida que suporte a pressão de água e que
resista às intempéries que podem causar desde pequenas fissuras até rupturas no concreto e nas tubulações.



Infiltrações oriundas de lajes de cobertura, terraços, calhas e ralos freqüentemente causam prejuízos nos apartamentos do último andar.


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